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Vídeo: Polícias pagam para aprender a conduzir

A perícia ao volante pode ajudar a Polícia a cumprir a sua missão e a evitar acidentes, mas quem quer dominar o volante tem de pagar do seu bolso, o que leva a maioria a "guiar sem saber conduzir".

O Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) defende que todos os elementos das forças de segurança tenham formação de emergência e que esta deveria ser proporcionada pelo Estado. 

Como tal não acontece, o Sinapol promove, através do Centro de Técnicas Policiais, cursos de condução: defensiva, avançada ou defensiva e avançada.

Com a duração de três dias, os agentes que participam neste curso - a troco de €490 - aprendem a desviar-se de obstáculos em segurança e a acelerar sem pôr em risco a vida de terceiros. 

Parece fácil, mas "não é para todos", como disse à agência Lusa o instrutor Mário Belo. 

Guiar sem saber conduzir

"Os agentes chegam aqui a saber guiar, mas sem saber conduzir", afirmou, explicando que, "no final do curso, já têm a perceção de como dominar uma viatura".

Entre as várias situações em que os agentes das forças de segurança põem à prova a sua perícia ao volante estão missões do dia a dia, como perseguir um suspeito, ir em auxílio dos colegas, intervir em crimes violentos, chegar a um local do crime.

As técnicas, explicou Mário Belo, são independentes do carro que se conduz e dos mecanismos de segurança que as viaturas disponham.

Por essa razão, no curso que está a ser administrado no Autódromo do Estoril são usados carros novos e velhos, com e sem mecanismos como o sistema de travagem ABS.

Parece fácil, mas não é

São os próprios instruendos a reconhecer a importância deste curso, como Américo Carvalho, que desempenha funções de motorista do grupo na Esquadra da PSP de Massamá. 

Este tipo de condução "parece fácil, mas não é", acrescentou.

Prova disso são as dores no corpo que sentiu hoje, depois de passar o dia de domingo literalmente de um lado para o outro, tantas são as curvas e contra-curvas que servem de cenário à formação. 

Hoje, já a revelar alguma destreza ao volante, Américo Carvalho reconhece que todos deveriam ter esta formação, embora lamente que tenha de pagar por ela, o que lhe custou. 

"Não ganhamos muito, mas esta é uma formação muito importante para nós. Podemos salvar vidas sem ter nenhum acidente, pois não é fácil conduzir a grande velocidade sem pôr os outros em risco", disse. 

Posição corroborada pelo instrutor Mário Belo, que lamenta esta formação não ser extensiva a todos.

Só o Corpo de Segurança Pessoal da Polícia de Segurança Pública (PSP) dispõe deste tipo de formação. Os outros conduzem como sabem e como podem.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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