Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Vídeo: O fascínio do Portugal dos Pequenitos

Há 70 anos que o Portugal dos Pequenitos faz parte do imaginário das crianças. Todos os anos é visitado por cerca de 300 mil pessoas.

Quem vai lá em criança é raro não repetir e, depois, retornar com filhos e netos. É um fascínio que não se esgota, o do Portugal dos Pequenitos, a atrair milhões a Coimbra há 70 anos.

Há uma magia que se inscreve na memória de cada um, que se quer reviver e transmitir. Foi isso que fez com que a venezuelana Quirimar e o português Jorge Oliveira voltassem com familiares e filhos.

"Queria que a minha sobrinha vivesse o que eu vivi quando era pequena. Conhecer isto, que é lindo", justificou Quirimar, que levou a sobrinha para sentir o mesmo que ela, porque "não tem nada disto em Espanha, e ia adorar".

Ilusão da infância

Da visita que fez na infância, o que reteve "foi a ilusão", porque nessa altura "somos todos baixinhos e queremos ter uma casa pequenina", disse.

"É um mundo de fantasia para cada um. Já vinha cá quando era pequeno e, para ela, também é bom viver fantasias", disse Jorge Oliveira, que viajara de Espinho com uma menina de três anos e familiares.

João partiu de Torre de Moncorvo para mostrar ao filho "como era a cidade dos pequeninos", fazer uma viagem pela história de Portugal e dar-lhe a noção de como eram as casas antigamente.

"São as memórias de um país que aqui estão representadas. Viemos cá com os nossos pais e, agora, trazemos cá os nossos filhos e os nossos netos. Revemo-nos muito no que aqui está", observou Lúcia Monteiro, diretora do Portugal dos Pequenitos.

Portugal de Norte a Sul

É esta a "chave" do sucesso deste parque lúdico pedagógico idealizado pelo professor universitário Bissaya Barreto e materializado pelo arquiteto Cassiano Branco, desde há 70 anos, em três fases. Primeiro com as casas tradicionais. Na década de 50 com o Portugal monumental e, nos anos 60, com as representações das então províncias ultramarinas.

"Tudo é interessante para os visitantes. Para os mais pequeninos são as casas tradicionais, porque estão numa escala muito reduzida. Eles entram, saem, espreitam à janela, abrem o portão. É uma memória que lhes fica. Muitas vezes nem têm muita consciência do que estão a ver", contou.

Para as crianças um pouco mais velhas são os estilos arquitetónicos e as representações dos monumentos. É o Portugal de Norte a Sul. A Torre dos Clérigos (Porto), os monumentos de Braga, a Universidade de Coimbra com a torre e a Sala dos Capelos, a janela do Convento de Cristo (Tomar) ou o Castelo de S. Jorge e a Torre de Belém (Lisboa).

280 a 300 mil visitantes

Anualmente são 280 mil a 300 mil pessoas que visitam o Portugal dos Pequenitos. A maioria são portugueses, mas também há muitos estrangeiros, em especial espanhóis, seduzidos pelas singularidades.

Vêm com familiares ou em grupos de escola. Sempre com tempo para brincar em casas e monumentos e ficar a saber um pouco mais de Portugal.

Por vezes até aí se aconchegam num piquenique, num largo de aldeia de um Portugal remoto que aparece no meio daquelas casinhas em miniatura.

Alguns até têm o privilégio de lá brincar todos os dias. São os meninos do jardim de infância que aí funciona, da Fundação Bissaya Barreto.

"Às vezes fingimos que estamos a cozinhar, como se fosse em nossa casa, porque parece mesmo a nossa casa", disse a pequena Francisca, uma das utentes desse jardim de infância.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.