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Vídeo: Advogado assassinado acusa Presidente da Guatemala

Num vídeo ontem divulgado, Rodrigo Rosenberg antevê a sua morte, que associa à descoberta de uma rede de corrupção.

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

Editor da Secção Internacional

A Guatemala foi surpreendida, ontem, por um vídeo em que um advogado acusa o Presidente da República, Álvaro Colom, e outros políticos de terem ordenado o seu assassínio. "Se estão a ver isto é porque fui morto", afirma Rodrigo Rosenberg, que foi morto a tiro, no passado domingo, enquanto andava de bicicleta na Cidade da Guatemala, capital do país.

Na mensagem, distribuída durante o funeral, o advogado acusa Colom, a primeira-dama Sandra de Colom, Gustavo Alejos [secretário do Presidente] e Gregorio Valdez [construtor que teve contratos com o Estado]. O Governo desmentiu tudo num curto comunicado, em que condena o assassínio e anuncia a abertura de uma investigação.

Rosenberg associa a sua morte às do empresário Khalil Musa e da sua filha Marjorie Musa, clientes seus assassinados em Março. E acrescenta que Musa descobrira casos de corrupção no Banco de Desenvolvimento Rural (Banrural, semipúblico) e na Associação Nacional do Café (ANC), para cujas direcções o Presidente o convidara, mas apenas para ter o nome do empresário como aval, não para que este exercesse verdadeiras funções.

O advogado entregou o vídeo, gravado dias antes de morrer, ao seu colega - e também radialista - Mario David García, que o fez chegar à imprensa guatemalteca. Rosenberg garante que Khalil Musa descobriu no Banrural e na ANC esquemas de lavagem de dinheiro e desvio de fundos públicos para programas de desenvolvimento inexistentes, dirigidos pela primeira-dama. E acusa de cumplicidade nas mortes Fernando Peña, gerente do Banrural, e Gerardo de León, dirigente da ANC.

Rosenberg diz ter sido ameaçado pelo círculo presidencial, mas assegura que não podia ficar calado sabendo o que sabia. Termina a mensagem pedindo ao vice-presidente, Rafael Espada, para investigar o caso. "Quem cala consente", alerta. O Governo atribui o assassínio ao crime organizado e diz que estas acusações são motivadas pela "intenção de criar uma crise política".