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Viciados no 'e-mail'

Os Estados Unidos estão alerta, mas em Portugal a dependência do “e-mail” não faz parte das preocupações dos psicólogos.

Nos Estados Unidos os esforços estão centrados na criação de programas de apoio e reabilitação para os “viciados no e-mail”. A existência desta patologia é assumida em termos clínicos e tem uma face bem visível. Se entra em stresse absoluto quando fica alguns minutos sem receber um e-mail, se a primeira coisa que faz quando se levanta é ver se tem mensagens, se nunca desliga o computador ou se envia para si mesmo mensagens para confirmar que está tudo sem problemas, então provavelmente você está dependente do seu e-mail.

Em declarações á agência Lusa, a investigadora e formadora de executivos da Pensilvânia, Marsh Egan, assumiu que “o vicio gera uma obsessão em verificar constantemente a caixa de correio electrónica” e adianta que esta prática acaba por afectar não só a vida profissional do indivíduo, como a profissional.  Face à dimensão que o problema está a atingir na América, a especialista está a dinamizar encontros mensais para “e-mailers anónimos” por videoconferência, com o objectivo de divulgar a questão e sensibilizar a comunidade para as formas de ultrapassar esta dependência.

Mas em Portugal, o tema não passa de mera teoria. Jorge Gravanita, da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica, afirmou à Lusa não reconhecer a existência de qualquer dependência de e-mails, Internet ou telemóveis. “O que há são novas sintomatologias de uma dependência que varia consoante a forma como ser humano se relaciona com as novas ferramentas”, enfatiza.

O especialista nacional considera que “estas questões tem  de ser analisadas no contexto da pessoa e nunca podem ser globalizadas”. Mas mesmo negando qualquer dependência, Jorge Gravanita imputa a responsabilidade às novas formas de comunicação, argumentando que esta nova forma de relacionamento com aos meios electrónicos, resulta de uma carência gerada pela ilusão de imediatez que é veiculada.

Jorge Gravanita acredita ainda que "a resposta a estes estímulos tem de ser autonomizada e é a própria pessoa que tem de saber o que fazer para crescer, no contexto da sua personalidade".