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Viciados na Internet aumentam

A Web é tão viciante como o álcool ou a droga e tem cada vez mais dependentes, inclusive crianças. Um teste online ajuda a saber se está nos grupos de risco.

É apelidada de "doença das novas tecnologias" e atinge cada vez mais gente por todo o mundo. A ciberdependência, ou dependência da Internet, é já considerada pelos americanos tão viciante como o álcool ou a droga.

No entanto, detectar este vício é mais difícil, já que “esta dependência pode não funcionar isolada ou ser uma forma de substituir outros vícios”, garantem os investigadores americanos do projecto "Net Addiction", nascido no "Center for Internet Addiction Recovery", (Centro para a  Recuperação da Dependência da Internet).

Vários estudos realizados nos Estados Unidos revelam que o uso da Internet pode gerar dependência e estimam que 10% dos utilizadores americanos sejam ciberdependentes. Os especialistas consideram que “quem passe mais de 24 horas semanais ligado à Internet é considerado dependente”. Razão pela qual, foram já criadas no país clínicas aptas a tratar esta patologia.

Alemanha já tem clínica de recuperação

Mas a América não é caso único. Embora faltem dados globais sobre o cenário de dependência da Internet na Europa, na Alemanha, por exemplo, foi recentemente criada uma clínica especializada em ciberdependência. Um estudo realizado pelas autoridades de saúde naquele país revela que uma percentagem elevada de alemães navega em média 34 horas por semana, evidenciando motivos para preocupação.

Na clínica recém-criada, a cura do vício é feita com recurso a tratamento personalizado que engloba medicação, vigilância médica e sessões de psicoterapia. Para os médicos, os estudos realizados em vários países expressam resultados preocupantes. Tanto mais que, segundo revelam, “em muitos casos esta dependência deve-se a um efeito de substituição”.

Uma percentagem significativa dos dependentes era já considera como pertencente a um “grupo de risco” pela sua anterior dependência a álcool ou drogas. Contudo, os especialistas chamam a atenção para a franja correspondente às camadas mais jovens da sociedade que tem vindo a aumentar.

Cuidado redobrado com crianças

Uma realidade que mereceu a reflexão e a preocupação de Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Para a especialista “as crianças estão a ficar viciadas na Internet”.

Sherry Turkle chama a atenção para importância dos pais estarem atentos a qualquer comportamento compulsivo por parte dos seus filhos e acredita que, no que toca à Internet, esse cuidado dever ser redobrado. “Não há nada de bom numa dependência e a Internet pode gerar um conflito de valores já que tem associada a questão da aprendizagem e acesso à informação. Ao contrário dos Media digitais, ninguém pode dizer que usa a heroína para aprender  ou trabalhar. Isto encobre a dependência”, alerta a especialista.

Teste para saber se sou dependente

O problema está a atingir proporções tão preocupantes que os investigadores americanos do Centro para a Recuperação de Dependência da Internet publicaram esta semana no site oficial um teste que qualquer cibernauta pode fazer, no sentido de perceber se se deve preocupar com o assunto ou não. (Para fazer o teste bastar clicar no link no final deste texto).

Após responder a 20 perguntas – numa escala de 1 a 5, onde 1 representa "raramente" e 5 "sempre" – o utilizador obtém de imediato o resultado e a interpretação do mesmo: entre 20 e 49 pontos não há razão para alarme; entre 50 e 79 pontos é sinal que o uso da Internet pode a médio prazo fazer estragos a nível pessoal; entre 80 e 100 pontos significa que a Internet já está a prejudicar em muito a vida pessoal, saúde mental e física. É o pior cenário e requer ajuda médica.