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Veneza ‘vintage’

O Festival de Veneza decorre sob o signo dos consagrados. The Black Dahlia, de Brian de Palma, tem honras de abertura.

O Festival de Cannes teve este ano uma edição de abertura a novíssimos autores. Mas a colheita não se revelou muito prometedora – tanto que a Palma de Ouro foi para o septuagenário Ken Loach. Veneza parece afinar por diferente diapasão e o festival que hoje começa apresenta um naipe de grandes nomes deveras invejável.

Na competição oficial encontramos cineastas como Brian de Palma (com The Black Dahlia), Stephen Frears (The Queen), Benoît Jacquot (L’Intouchable), Tsai Ming-Liang (I Don’t Want to Sleep Alone), Paul Verhoeven (Black Book), Jean-Marie Straub e Danièle Huillet (Quei Loro Incontri), Johnnie To (Exiled), Alfonso Cuarón (Children of Men), Gianni Amelio (La Stella che non C’è) ou Alain Resnais (Private Fears in Public Places) que, aos 84 anos, parece querer seguir o exemplo de Oliveira e não parar de filmar. Oliveira, de resto, volta a Veneza, com Belle Toujours, a sequela de Belle de Jour de Buñuel aguardada com enorme expectativa. Mas está fora de competição. Como estão outros trunfos maiores do festival, sobretudo vindos da indústria americana que aproveita Veneza para lançar na Europa alguns dos seus mais prestigiosos produtos deste Outono. À cabeça o polémico World Trade Center de Oliver Stone, sobre o atentado às Torres Gémeas, mas também Inland Empire de David Lynch (a quem o festival atribui, este ano, o Leão de Ouro à carreira), Devil Wears Prada de David Frenkel ou o longuíssimo documentário When the Leeves Broke: A Requiem in Four Acts de Spike Lee (sobre a actuação do Governo no caso da devastação operada pelo furacão Katrina). O britânico Kenneth Branagh leva a sua versão filmada de A Flauta Mágica de Mozart para um evento que fará abrir as portas do mítico Teatro La Fenice para uma sessão especial.

O Júri, este ano presidido por Catherine Deneuve e que inclui o produtor português Paulo Branco para além dos realizadores Juan Josè Bigas Luna (Espanha), Cameron Crowe (EUA), Park Chan-wook (Coreia do Sul), da actriz russa Chulpan Khamatova e do actor e realizador italiano Michele Placido, vai ter labor de monta já que os filmes a concurso para o Leão de Ouro são, de colheita «vintage».

No capítulo do olhar sobre a memória do cinema - que todos os festivais de primeiro plano não deixam de executar -, Veneza propõe uma retrospectiva integral de um dos pais do Cinema Novo brasileiro, Joaquim Pedro de Andrade, e um ciclo denominado «História Secreta do Cinema Russo», onde será apresentada uma série de filmes musicais, praticamente invisíveis, do período soviético. Há ainda homenagens aos mestres italianos (Rossellini, Soldati, Visconti) de que serão exibidas algumas obras recentemente restauradas.

 

A partir de amanhã acompanhe o Festival de Veneza através dos Postais do enviado especial, Jorge Leitão Ramos.