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Unicef denuncia «labirinto aterrador»

Os traficantes de crianças continuam a «depredar» no Sudoeste da Europa. A Unicef fala mesmo em «labirinto aterrador» e propõe uma nova estratégia de combate.

Kosovo. Aos 14 ou 15 anos muitas raparigas deixam a casa dos pais para procurarem emprego. É frequente encontrarem como única saída a prostituição. Roménia. Muitas crianças da região de Oas chegam todos os anos aos arredores de Paris. Ganham a vida a roubar. Estes são exemplos vivos de uma realidade – a do tráfico de crianças – para a qual a Unicef só encontra uma saída: Prevenção, prevenção e mais prevenção.

O caminho é apontado num relatório intitulado «Agir para Prevenir o Tráfico de Crianças no Sudoeste da Europa – Uma Avaliação Preliminar», ontem divulgado em Londres pela Unicef e pela Organização Não Governamental Terre des Hommes.

O fenómeno não está quantificado, face à realidade com que os técnicos se deparam no terreno. «Pobreza, maus-tratos, exclusão, marginalização», denunciou Maria Calivis, directora regional da Unicef para Europa Central e de Leste e a Comunidade de Estados Independentes, ontem, durante a apresentação. Mas uma coisa é certa: são muitas as vítimas dos traficantes.

«É possível pôr fim ao tráfico antes mesmo que este comece», lembrou Christian Hafner, vice-presidente da Terre des Hommes, que também estava presente na sessão de apresentação do documento.

Como? Em primeiro lugar é preciso perceber que a estratégia actual, que assenta, sobretudo, no procedimento criminal contra os autores e no resgate das crianças, não é a única solução.

Crimes em família 

Em seguida, sustenta a Unicef, reconhecer que os actuais esforços de prevenção são «avulsos» e têm estado muito dependentes das acções de sensibilização geral. Algumas campanhas de sensibilização, por exemplo, contêm «imagens estereotipadas de homens a espreitar na sombra quando muitas vezes os traficantes são membros da família ou amigos», pode ler-se no relatório.

Na perspectiva da Unicef, combater o tráfico de crianças é lutar contra as causas do problema – «Pobreza, maus-tratos, exclusão, marginalização».

«Para desenvolver uma rede apertada e eficaz que proteja as crianças, temos de recorrer à fonte, ouvir o que as crianças têm a dizer sobre este assunto e preencher as lacunas do nosso conhecimento sobre padrões de tráfico e as das nossas abordagens e mensagens», avançou Maria Calivis, acrescentando: «Repetidas vezes, foram desperdiçadas oportunidades para prevenir ou pôr fim ao tráfico».

No fim, a mensagem da directora da maior organização mundial dedicada à protecção das crianças não podia ser mais clara: «Para derrotar os predadores, é urgente que nos tornemos tão organizados e ágeis como eles.»