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Uma justa distinção

José Dias Urbano, presidente da Sociedade Portuguesa de Física, destaca o trabalho dos dois astrofísicos distinguidos com o Nobel da Física 2006.

O Prémio Nobel da Física 2006 foi atribuído a dois americanos, John C. Mather, astrofísico sénior do Laboratório de Cosmologia Observacional do Centro Goddard de Voos Espaciais da NASA, e George F. Smoot, astrofísico experimental e cosmólogo observacional da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Mather e Smoot analisaram e interpretaram dados sobre a Radiação Cósmica de Fundo, que foram obtidos por intrumentos instalados no célebre satélite COBE da NASA.

A Radiação Cósmica de Fundo enche todo o universo e supõe-se ter sido emitida antes da formação das galáxias. A sua caracterização permite por isso deduzir informações preciosas sobre os instantes iniciais do universo e sobre a formação das galáxias. Permite também testar o Modelo do Big Bang do início do Universo.

O satélite COBE foi lançado em 18 de Novembro de 1989, indo munido de três complexos instrumentos de observação. John Mather dirigiu a equipa de um deles, o FIRA (Far-Infrared Absolute Spectrophotometer ). George F. Smoot dirigiu a equipa ligada a um dos outros o DMR (Differential Microwave Radiometers).

Com o espectrofotómetro FIRA pretendia-se testar uma das conclusões do Modelo do Big Bang: a radiação cósmica de fundo devia possuir as característcas da radiação emitida por um corpo negro, ou seja, de um corpo que absorve toda a radiação electromagnética que nele incide. Os dados recolhidos confirmam esta previsão com enorme rigor.

Os dados recolhidos pelos radiómetros diferenciais permitiram mapear com grande detalhe a distribuição da Radiação Cósmica de Fundo. Foram encontradas minúsculas anisotropias que são interpretadas como vestígios das “sementes” das galáxias e dos aglomerados de galáxias.

As investigações de Mather e de Smott e das suas equipas de investigadores colocaram o Modelo do Big Bang da origem do Universo em alicerces muito mais sólidos do que até então se encontrava. Foram anunciados pela primeira vez em 1992, tendo dado um grande impulso à investigação em astrofísica e cosmologia observacional. Merecem por isso o prémio com que foram dintinguidos.

José Dias Urbano
Presidente da Sociedade Portuguesa de Física