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“Uma experiência curiosa”

Participantes portugueses de acordo que Europa e políticos estão distantes dos cidadãos.  

“Se a União Europeia se está a tentar aproximar-se dos cidadãos, é por que antes se foi afastando deles”, é assim que o técnico de informação e comunicação António Velez, de 54 anos, vê a “experiência curiosa” da “Consulta aos cidadãos europeus”.

Velez é um dos participantes no projecto, estando integrado no grupo que vai discutir o tema das políticas sociais e da família. Já com alguma experiência europeia, pois participou em algumas “redes europeias” no âmbito do seu trabalho, o técnico de comunicação acha que são muito diferentes as prioridades dos cidadãos, embora os três assuntos em discussão neste projecto (Ambiente e Energia, Fronteiras e Emigração, para além do seu) sejam “muito importantes”.

Para ele, o que mais lhe interessa salientar é a política das cidades e do mundo rural, pois, segundo crê, “influenciam decisivamente a organização das família e da imigração”.

Com outra experiência totalmente diferente, participa também o fotógrafo Miguel Jorge, de 32 anos, a residir transitoriamente numa aldeia em Tomar. Com uma filha de dupla nacionalidade luso-finlandesa, viveu na Finlândia três anos e conhece bem na pele o que é ser imigrante.

“O modelo escandinavo é um sonho em termos sociais”, disse ele ao Expresso. Todavia, não se adaptou. A escassez de empregos e a falta de abertura para os estrangeiros que detectou na sociedade ditaram-lhe o regresso a casa.

Integrado nesta experiência no grupo das “Fronteiras e Imigração”, faz questão de sublinhar “a distância entre os políticos e as pessoas”, pelo que considera o projecto da “Consulta aos cidadãos” como uma experiência “muito importante”.

A mesma ideia tem Maria Armanda Saraiva, de 49 anos, cozinheira, do Alentejo, para quem “a Europa é o nosso futuro”. Incluída no grupo que discutirá as políticas sociais e a família, pensa que “Portugal está muito abaixo da média europeia nesse campo”.