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Um feriado inesperado

Em dia de greve os sindicatos avançam com elevadas percentagens de adesão, o Governo diz que não é bem assim, os alunos agradecem. Os professores estão em luta, mas a ministra lembra que o processo negocial vai a meio.

Cerca de 85% dos professores e educadores aderiram à greve nacional, de acordo com dados dos sindicatos, enquanto o Ministério da Educação aponta para participações entre os 30 e os 53%.

Segundo João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), cerca de 85% dos professores e educadores a nível nacional aderiram ao primeiro dia de greve contra a proposta de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) apresentada pelo Ministério da Educação.

Idêntica percentagem de adesão é avançada pela Federação Nacional dos Professores. Para a Fenprof a greve está a atingir globalmente cerca de 85% de adesão, "com tendência para aumentar" durante o dia, disse à agência Lusa o secretário-geral, Paulo Sucena.

No Norte, a participação no protesto deve ultrapassar os 85%, segundo o Sindicato dos Professores do Norte, enquanto o Ministério da Educação aponta para 32,7%. De acordo com os sindicatos, várias escolas e jardins-de-infância encerraram, destacando-se alguns estabelecimentos que habitualmente registam baixas taxas de adesão.

Na região Centro, a greve atingiu a participação máxima, com uma adesão a rondar os 90%, de acordo com os sindicatos, sendo "significativamente superior à realizada em 18 de Novembro de 2005, que foi considerada a maior manifestação desde que esta equipa ministerial está em funções". A Direcção Regional de Educação do Centro disse à Lusa ainda não ter dados disponíveis, remetendo a sua divulgação para a parte da tarde.

Na Grande Lisboa, as organizações sindicais afirmam que o protesto ronda entre os 80 e os 85%, números muito acima dos divulgados pela Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), que aponta para 53%. De acordo com a DREL, o protesto levou ao encerramento de 23% dos estabelecimentos de ensino nos 51 concelhos abrangidos.

No Rainha D. Amélia, em Lisboa, dezenas de alunos confraternizavam, esta manhã, no pátio da escola. "É um feriado inesperado. Estou contente porque não vou ter aulas", disse à Lusa, João, um aluno do 10.º ano. "A malta está à espera de autorização dos pais" para poder sair da escola, acrescentou.

Já no Alentejo, os sindicatos dizem que a participação foi de 80%, com várias escolas do 1.º ciclo fechadas em Évora, Viana do Alentejo e Beja, enquanto a Direcção Regional não dispõe ainda de dados concretos.
Mais a sul, os sindicatos do Algarve apontam para uma participação de professores e educadores acima dos 80 por cento, com as escolas do ensino básico a serem as mais afectadas. Também no Algarve, a tutela reserva dados para mais tarde.

Nas regiões autónomas, cerca de 60 por cento dos professores madeirenses aderiram à paralisação, o mesmo acontecendo com 50 por cento dos docentes açorianos, segundo os sindicatos, já que o Ministério não avançou ainda números.

A greve nacional foi decretada conjuntamente pelos 14 sindicatos do sector a 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, durante a marcha nacional de protesto, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.

Esta será a segunda paralisação nacional convocada para contestar a proposta do ECD, depois da greve de 14 de Junho, que contou com uma adesão de 70 a 80%, de acordo com a Fenprof, e inferior a 30%, segundo o gabinete da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

A divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), a imposição de quotas para aceder à mais elevada e o modelo de avaliação de desempenho que inclui critérios como a apreciação dos pais e as taxas de abandono e insucesso escolar dos alunos são alguns dos aspectos mais criticados pelas organizações sindicais.

 

REACÇÃO DA MINISTRA

A ministra da Educação considerou que a greve nacional de professores e educadores de infância "não tem sentido", por estar ainda a decorrer o processo negocial relativo à alteração do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

"O Ministério já apresentou três propostas [de alteração] e os sindicatos apenas uma e muito recentemente. Para mim, uma greve a meio do processo negocial não tem sentido", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, à margem da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, onde foi hoje falar sobre a avaliação das escolas.

Para a ministra, o actual estatuto da carreira "não serve para obter melhores resultados nas escolas, como ficou provado nos últimos dez anos, em que esteve em vigor".

"Nós fazemos um esforço para nos aproximarmos das posições dos sindicatos e esperamos que os sindicatos se aproximem também da posição do Ministério da Educação", concluiu Maria de Lurdes Rodrigues.