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Um clássico puro

Um embate de titãs abre as meias-finais do campeonato do mundo. Amanhã, teremos reedição das meias-finais dos Campeonatos da Europa de 1984 e de 2000. Votará a selecção nacional a fazer história?

Já só com selecções europeias em prova, as meias-finais do Mundial-2006 de futebol arrancam hoje. O primeiro confronto opõe a Alemanha e a Itália, em Dortmund (20h, SPORTV), seguindo-se amanhã o França-Portugal, em Munique (20h, SIC).

O embate desta noite junta dois antigos campeões mundiais e pode já considerar-se um clássico do futebol mundial. Ao registo de três títulos mundiais (1954, 1974 e 1990), quatro segundos lugares (1966, 1982, 1986 e 2002), dois terceiros (1934 e 1970) e um quarto (1958) exibido pela equipa da casa, a Itália responde também com três triunfos (1934, 1938 e 1982), dois segundos lugares (1970 e 1994), um terceiro (1990) e um quarto (1978). Ou seja, duas selecções com um passado de vulto na história do futebol, que já se cruzaram em 28 ocasiões e com um claro domínio dos latinos (13 vitórias, 8 empates e 7 derrotas), sendo que quatro destas partidas ocorreram em edições anteriores do Mundial.

A primeira disputa foi no Chile, em 1962, e terminou com um empate (0-0). Oito anos mais tarde, alemães e italianos voltaram a defrontar-se na Cidade do México e os latinos venceram (4-3, após prolongamento) naquele que ainda hoje é por muitos considerado como o «Jogo do Século XX». No Argentina’78 registou-se novo empate sem golos e quatro anos volvidos, na final do Mundial de Espanha, a Itália voltou a levar a melhor (3-1).

O mais recente confronto entre estes dois «gigantes» ocorreu a 1 de Março deste ano, em Florença, e a equipa treinada por Marcelo Loppi impôs uma goleada (4-1) a uma «mannshaft» que regressou a casa corada de vergonha pelo mau desempenho. Apesar de todas as críticas, o técnico alemão Klinsmann aguentou-se no posto (não obstante quase ter sido posto fora) e é agora um comandante incontestado de uma equipa que tem feito um campeonato muito seguro, com 11 golos marcados e três sofridos em cinco jogos. Do outro lado, o treinador germânico vai encontrar uma Itália talvez não tão exuberante mas não menos eficaz (nove golos marcados e apenas um sofrido).

Quanto ao França-Portugal de amanhã trata-se de uma estreia absoluta em Mundiais, embora seja uma reedição das meias-finais dos Campeonatos da Europa de 1984 e de 2000 – espera-se, já agora, que com um desfecho diferente dos anteriores. Recorde-se que há 22 anos, em Marselha, a equipa de Chalana e Jordão foi derrotada (3-2) com um golo apontado por Platini, quando o prolongamento se aproximava do fim e já todos se preparavam para uma decisão por penáltis, enquanto em 2000 um penálti marcado por Zidane (na sequência da célebre «mão» de Abel Xavier) pôs fim ao prolongamento (1-1) porque na altura estava em vigor o sistema do «golo de ouro».

Depois de um início algo titubeante, a França chega a esta meia-final em crescendo de forma e com um Zidane ao mais alto nível, a já deixar saudades sabendo-se, como se sabe, que vai deixar de jogar no final deste campeonato. Quanto a Portugal, a melhor notícia são os regressos de Deco e Costinha à titularidade, cumprido com a Inglaterra o jogo de castigo de que ambos foram alvo. Perante um adversário do nível da França, a certeza de que Scolari vai poder apresentar a sua melhor equipa é uma garantia de que o sonho luso tem condições para continuar.