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Atualidade / Arquivo

Um Caribe sazonal na Amazónia

Este Alter do Chão, de alentejano não tem nada. E até tem praia, magnífica. Mas as pessoas só vão a esta praia durante meio ano.

Durante cerca de meio-ano, ou seja, de Fevereiro a Julho, quem frequenta os bares da praia de Alter do Chão são os peixes. E isto no sentido exacto e literal do termo «frequentar», pois a água do rio Tapajós, nomeadamente aqui na baía verde, sobe entre três e quatro metros no Inverno brasileiro, alagando tudo e fazendo desaparecer os areais.

A cidade de Alter do Chão, de que se fala aqui, também não pertence ao distrito de Portalegre, até porque fica a uns 35 quilómetros de Santarém... mas uma Santarém lá longe, no Estado do Pará, Norte do Brasil.

Os habitantes de Alter dizem morar no «Caribe amazónico», tal a beleza das suas praias. E o apelido tem as suas razões: a temperatura é sempre alta, a areia é fina e clara, a água do rio é quente e há muitas palmeiras no cenário, até à borda de água. Pena é que seja só por meio ano.

No resto do tempo, o mais provável é que chova, como chovia (a potes) quando fomos a Alter do Chão, em Maio último. Deu para tirar umas fotos e para comer um belíssimo bife de "Pirarucu", um peixe de rio de 100 quilos de peso, ou mais.

A grandiosidade do Tapajós, o rio de Alter do Chão, impressiona: chega a ter 20 quilômetros de distância entre as margens e parece um oceano, com ondas, ventos e tudo. Só que, em vez de golfinhos, tem botos. E eles acompanham os grandes e luxuosos navios de cruzeiro, que na estação seca sobem o Amazonas, de Belém e Manaus, e em Santarém fazem um desvio para o Tapajós, estacionando um dia ou dois frente à mais bela praia interior do Brasil.

Petisco local é também o "tambaqui", um tipo de peixe (vai até três quilos) assado na brasa, que se come à mão e sentado no chão. Depois da comilança, dança-se o carimbó.