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Um busto para a República do século XXI

Rui Sanches assinala centenário da República com obra "plural, fracturada, ainda em fluxo". Para ver na exposição "Povo - People", no Museu da Electricidade.

Filipe Santos Costa (www.expresso.pt)

É um homem? É uma mulher? É o povo? Sim. É as três coisas e é a proposta de busto da República apresentada pelo escultor Rui Sanches. A obra, que pode ser vista a partir de hoje (até 19 de Setembro) no Museu da Electricidade, em Lisboa, resulta de uma encomenda da Fundação EDP para a exposição Povo - People, que assinala o centenário da República.

"Uma representação da República hoje tinha que ser plural, fracturada, ainda em fluxo. Utilizar diversas linguagens de vários períodos históricos, do fim do século XIX aos dias de hoje. Conter em si o próprio povo e ser suficientemente ambígua no sexo, ou sexos, representados", diz Rui Sanches, em declarações ao Expresso sobre o busto em bronze e madeira, parte homem, parte mulher e parte povo.

Para além de Rui Sanches, também Cabrita Reis e Hugo Canoilas criaram obras para esta exposição, comissariada por José Manuel dos Santos e que pretende ser "uma nova reflexão visual, estética, simbólica, sociológica e política sobre a génese e a evolução do conceito de povo".

A pergunta "O que é o povo?" orientou a escolha das obras - onde se incluem, entre outros, trabalhos de Almada Negreiros, Paula Rego, Vieira da Silva, José Malhoa, Rafael Bordalo Pinheiro ou Joana Vasconcelos. Mas também foi a pergunta colocadas a 40 personalidades portuguesas, que contribuiram com a sua resposta para o livro "O que é o povo" (ed. Tinta da China).

Todos os presidentes do pós-25 de Abril - Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva - dão o seu depoimento, juntando-se a personalidades como Otelo Saraiva de Carvalho, Jaime Nogueira Pinto, Maria de Lourdes Modesto, Frei Bento Domingues, João Braga, Graça Morais, Jerónimo de Sousa, José Sócrates ou Paulo Teixeira Pinto.