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Tudo se vende, tudo se compra

Comércio de todos os cantos do mundo invadiu a Herdade do Torrão, em Idanha-a-Nova. Desde um «burro-táxi» ao açaí da Amazónia, é a originalidade que marca as vendas dentro do festival.

Dinheiro fresco no bolso e mais de 50 tendas com comércio de todos os cantos do mundo tornaram o segundo dia do Boom numa verdadeira corrida às compras. Artesanato, massagens, gelados biológicos, sabão de aloé vera ao quilo ou até mesmo um «burro-táxi», não há nada que não se encontre à venda na Herdade do Torrão.

No início da tarde de sexta-feira um calor tórrido bate de chapa no Boom Festival. Para fugir às insolações são muitos os boomers que se dedicam às compras. Numa breve volta pelo recinto é fácil tropeçar-se em vendedores de tudo o que se possa imaginar. Bijutarias, piercings, tatuagens e roupas coloridas fazem as delícias das mulheres. Já os mais cansados rendem-se aos poderes das massagens: por apenas 20 euros compra-se uma sessão de reiki, feita pelas mãos de profissionais credenciados.

A alimentação é a fatia maior do comércio dentro do Boom. Além das habituais sandes, pizzas e sumos, os mais gulosos podem experimentar petiscos bem menos usuais. Desde comida vegetariana, sumos de fruta biológica ao açaí da Amazónia, é apenas a imaginação e a iniciativa que ditam as regras.

Em época de crise, Kitty e Magda Oliveira, mãe e filha, são um verdadeiro modelo de «desenrasque». «Temos uma plantação de fruta biológica e como não dávamos vazão lembramo-nos de vir vender melancias para o festival», conta Kitty, de 46 anos. Cada fatia custa 1 euro e as vendas superaram as expectativas. «Os estrangeiros adoram. Está a correr tão bem que já tive de pedir a outro produtor para me mandar mais melancias porque as minhas acabaram».

Íris, uma suíça de 47 anos, residente há 17 em Idanha-a-Nova, é outro exemplo de originalidade com o seu inovador «burro-táxi». Por dois euros transporta dentro de uma carroça, para qualquer ponto do recinto, os boomers mais cansados. «A clientela tem sido muita» e para a próxima edição do festival Íris promete voltar.

Embora na generalidade das tendas os vendedores estejam satisfeitos com as vendas dos primeiros dias do Boom, as queixas dos preços altos são comuns à maioria dos boomers portugueses. No entanto, a justificação dos comerciantes também é unânime: «Os preços são puxados porque o público é quase todo estrangeiro. O poder de compra é maior e temos de aproveitar».

Ao fim de dois dias de festival, com as bancas abertas 24 horas por dia, o cansaço dos vendedores é visível, mas o empenho não esmorece. «Quando se vem para um festival destes só há duas perspectivas: ou vens para curtir, ou vens para fazer dinheiro», desabafa uma das artesãs da tenda «Arte e Alma».

Em trabalho ou simplesmente para «curtir» o ânimo é geral quando o Dance Floor se enche de luz e o som da música trance começa. Numa verdadeira romaria, os boomers aglomeram-se e dançam como se não houvesse amanhã. Foi assim pela noite dentro.