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Tristeza invade operários da Johnson Controls

Os operários prometem lutar pelo posto de trabalho e já marcaram para a próxima segunda-feira um plenário, para decidir formas de luta.

Um sentimento de tristeza tomou ontem conta dos 225 operários da Johnson Controls em Portalegre, quando saíram da fábrica com a certeza de que o seu posto de trabalho vai acabar a partir de Agosto de 2007.

Entre os operários, que ontem ouviram da boca dos responsáveis da multinacional norte-americana que a fábrica vai mesmo fechar, alguns mostraram-se surpreendidos com a decisão, outros magoados e alguns já conformados.

“Não há retrocesso, temos de aceitar a decisão”, disse Américo Reis, um dos primeiros operários a sair da reunião de meia hora com os administradores da empresa, uma das principais entidades empregadoras do concelho de Portalegre.

A trabalhar na Johnson Controls desde a sua abertura em Portalegre, em 1993, Américo Reis reconheceu que a situação que os operários estão a viver é “complicada”. “É uma situação que ninguém gosta de aceitar”, frisou.

Observando que Portalegre tem uma “situação precária em termos de postos de trabalho”, Américo Reis advertiu para as dificuldades dos operários da Johnson Controls em conseguir emprego na zona, devido à especificidade da sua função: o fabrico de espumas para equipamentos no interior dos automóveis.

A possibilidade de os trabalhadores de Portalegre serem transferidos para outras unidades fabris do grupo norte- americano, instaladas noutros países, como Espanha, foi também avançada na reunião entre administradores e operários.

“Deram-nos a promessa de nos ajudar a encontrar emprego noutras fábricas. Por esse mundo, talvez, porque aqui não há mais nenhuma”, ironizou António Branco, porta-voz da comissão de trabalhadores.

Adeus Portugal

Alguns operários admitem mesmo emigrar, como João Pires, que prefere por enquanto aguardar pelas propostas da empresa.

“Sou novo ainda, tenho 43 anos, mas o pior é a família. Vamos ver as propostas”, disse João Pires, admitindo emigrar, para garantir um posto de trabalho.

Manifestando algum conformismo com o fecho da fábrica, o operário espera apenas não assistir “ao que se vê por aí fora” através da televisão: “Chegarmos um dia ao trabalho e termos tudo fechado”. “Aqui, dizem-nos que não é assim, vamos ver”, sublinhou.

Apesar dos diferentes sentimentos com que vão enfrentando a situação, a mágoa reina entre os operários, que garantem, contudo, ter ainda uma “margem de manobra” de nove ou dez meses de ordenado até ao encerramento da unidade, em Agosto de 2007.

“Temos margem de manobra, porque eles precisam de bancos (para o interior de automóveis). Precisam que nós façamos bancos até lá”, advertiu o sindicalista António Branco, prometendo, ainda, que os operários vão lutar pelos postos de trabalho.

Os operários da fábrica de Portalegre da Johnson Controls foram informados anteontem à tarde do encerramento da unidade em Agosto de 2007 e convocaram um plenário para segunda-feira para decidir formas de luta contra a decisão da administração.

A possibilidade de a Johnson Controls encerrar dois dos três complexos fabris que detém em Portugal, em Portalegre e em Nelas (Viseu), já tinha sido veiculada pela imprensa nos últimos dias.

A decisão de fechar as fábricas de Nelas e Portalegre, que irá implicar que quase mil trabalhadores fiquem no desemprego, estará relacionada com um processo de reestruturação do grupo norte-americano a nível europeu.

Essa reestruturação deverá envolver a deslocalização da produção para outro país, mantendo-se apenas em funcionamento a fábrica de Palmela, a terceira que a multinacional norte-americana detém em Portugal.

A Johnson Controls, Assentos de Espuma, Lda, está instalada em Portalegre desde 1993, mantendo actualmente 250 trabalhadores.