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Três perguntas a José Luís Orihuela

É professor na Universidade de Navarra e um dos mais reputados investigadores da blogosfera. Tem dado conferências e wokshops acerca do mundo dos Weblogs. O EXPRESSO conversou com o professor depois da sua apresentação intitulada "Os Blogues vão acabar em 2006?", apresentada no 3.º Encontro Nacional sobre Weblogs.

É possível viver exclusivamente de um blogue?
Sem dúvida. No mercado gigantesco dos EUA, onde a rede está mais massificada e os blogues têm maior expressão, já há bastante gente a viver disso profissionalmente. Em Espanha, por exemplo, há, pelo menos uma pessoa, que vive da publicidade que conseguiu para o blogue onde escreve. Mas depois há ainda aqueles que acabam por ser convidados para escrever artigos para os meios de comunicação social tradicionais por se terem sobressaído nos seus próprios blogues.

Os media tradicionais conseguem competir com a rapidez da publicação dos blogues?
É difícil. Ninguém pode competir com as pessoas que estão nos próprios locais a viver uma guerra ou uma catástrofe e a tirar fotografias ou vídeos e a publicar testemunhos. E isto antes dos jornalistas lá chegarem.

Disse na sua comunicação, a propósito dos weblogs e jornalismo, que "existem um milhão de amadores à procura do meu lugar". Os blogues podem vir a substituir o jornalismo tradicional?
Não. Isso são visões apocalípticas. O que se está a dar é uma transformação de meios, uma adaptação a novos tempos. Os meios têm constantemente de se reinventar ou correm o risco desaparecer. Depois, há ainda o problema da credibilidade das fontes de informação e de quem informa. Nos blogues usa-se muito o anonimato, mas o uso do nome pessoal poderá ter mais credibilidade. Mas há casos curiosos, como o de dois jornalistas que haviam saído de uma revista e que criaram um blogue próprio que acabou por ter mais leitores do que a revista para onde trabalhavam. Depois da fase da ignorância, seguiu-se a fase do desprezo e desvalorização dos «weblogs». Mas com o impulso da cobertura e divulgação dos blogues em catástrofes como o Katrina ou o 11 de Setembro, os media tradicionais passaram a temê-los. Neste momento, assistimos à integração de blogues nos próprios órgãos de comunicação social. Neste momento, já estamos na fase da canibalização.