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Atualidade / Arquivo

Três noites de violência na capital dinamarquesa

Na origem da revolta está a venda de um edifício ocupado ilegitimamente desde 1982. Embora tenham chegado mais anarquistas de países vizinhos para se juntarem aos protestos, a noite foi a menos violenta desde sexta-feira.

A polícia de Copenhaga prendeu dezenas de pessoas na madrugada de domingo, naquela que foi a terceira noite consecutiva de protestos contra a expulsão de um grupo de anarquistas, que ocupava um edifício, transformado em centro da juventude, no centro da capital dinamarquesa.

A madrugada começou com pequenos grupos de protestantes a atirarem pedras à polícia e a pegarem fogo a alguns caixotes do lixo. Embora os manifestantes tenham ainda incendiado alguns carros, nunca se atingiu o nível de violência de sexta-feira e sábado, onde 25 pessoas ficaram feridas.

Lars Borg, porta-voz da polícia de Copenhaga, não esconde a satisfação pelos conflitos estarem, aparentemente, a diminuir, “estamos muito felizes por tudo ter estado mais calmo” e acredita que o bom senso imperou, “as pessoas que se quiseram manifestar, estiveram mais cientes que os comportamentos das noites passadas não foram os mais correctos”.

Nick Cave e Bjork

Mesmo assim acabaram por ser detidas mais de 30 pessoas, num total de 640, desde o início dos confrontos. Entre os presos encontram-se norte-americanos, suecos, alemães e noruegueses, que entretanto se juntaram à “causa anarquista” dos dinamarqueses, na defesa do que consideram ser “uma batalha contra o regime capitalista”.

Os motins começaram quando uma brigada antiterrorista expulsou os “ocupas” de um auto denominado “centro da juventude” no centro de Copenhaga. A expulsão, planeada desde o ano passado, deve-se à casa ter sido vendida há já seis anos a uma congregação cristã e que reclamou o direito à sua propriedade. Os manifestantes quando se recusaram sair, alegaram que a câmara não tinha o direito de vender o edifício e exigiram, desde logo, uma casa nova e completamente gratuita.

A casa de quatro andares construída em 1897 e coberta de graffitis tem servido, desde os anos 80, de centro cultural e de reunião para anarquistas e grupos da esquerda radical, tendo sido ainda palco de vários concertos de bandas punk e rock. Entre os seus convidados mais ilustres estiveram o australiano Nick Cave e a islandesa Bjork.

Outras vozes

Nem todas as manifestações foram violentas e na tarde de sábado mais de 3 mil protestantes marcharam pacificamente pelas ruas de Copenhaga. A caminhada que terminou no extinto centro da juventude foi devidamente acompanhada por centenas de polícias.

A Dinamarca mais habituada à paz e à tolerância, não via nada assim desde 1993 e isso reflectiu-se nos seus moradores. “A ideia de uma sociedade alternativa é boa. E precisamos de ter espaço para todos, mas a violência dos últimos dias não é aquilo que acredito ser uma sociedade alternativa”, referiu Berit Larsen enquanto assistia à manifestação.