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Telmo Correia acusa Castro e Zezinha de “política de terra queimada”

É a resposta dos portistas às duríssimas acusações de Maria José Nogueira Pinto.

Telmo Correia, apoiante de Paulo Portas e um dos principais intervenientes no Conselho Nacional (CN) do CDS de domingo, acusa José Ribeiro e Castro e Nogueira Pinto de já terem percebido “que têm a maioria do partido contra” e, por isso, seguirem uma “política de terra queimada”. Para o deputado e vice-presidente da Assembleia da República, a presidente do CN “foi a principal responsável” pelos acontecimentos de domingo, com a sua conduta “completamente parcial”, e as suas declarações, “chamando cães de fila, arruaceiros e agressores” aos conselheiros nacionais são “uma ignomínia”.

Numa conferência de imprensa menos de duas horas depois de Nogueira Pinto ter acusado Portas e os seus apoiantes de uma tentativa de “assalto ao poder”, Telmo Correia respondeu em termos igualmente duros. Lembrou que 75% das estruturas do partido são a favor das directas como Portas as propõe e que no CN quase dois terços dos votantes estiveram do lado de Portas, e concluiu: “Já perceberam que vão perder. Agora, teriam duas saídas possíveis: ou reconhecer com humildade democrática que perderam, e aceitam as directas, ou agarrarem-se ao poder, só saindo forçados, destruindo tudo à sua volta.” Foi este o caminho escolhido, acusa Telmo. “Uma política de terra queimada absoluta, de ou nós ou nada.”

Sobre a parcialidade de Nogueira Pinto na condução dos trabalhos do CN, Telmo Correia somou episódios, mas deu como melhor demonstração da sua acusação a conferência de imprensa da dirigente, esta tarde. “Basta ouvir a declaração de hoje para se perceber que Maria José Nogueira Pinto é completamente parcial”.

Com o triunfo no CN, onde as directas foram aprovadas por 65% dos conselheiros, os portistas já estavam a preparar, para entregar ainda hoje, um pedido de parecer ao Conselho de Jurisdição para saber se esta votação tem ou não precedência sobre o requerimento apresentado por mais de mil militantes exigindo primeiro um congresso. A tese de Nogueira Pinto, de que este requerimento é mais representativo do sentir das bases é que não colhe junto dos portistas. “Isso seria o mesmo que dizer que uma petição à Assembleia da República assinada por milhares de cidadãos vale mais do que a decisão de 350 deputados”.

Sobre as acusações de Nogueira Pinto a Hélder Amaral, que a teria agredido, o deputado de Viseu já a desmentiu e Telmo Correia coloca-se do seu lado: “Do que sei não houve agressão de espécie alguma a ninguém. Se Nogueira Pinto tem imagens, que as mostre.”

Enquanto espera a decisão do Conselho de Jurisdição e o reatar do CN – que, diz Telmo Correia, Nogueira Pinto “abandonou inopinadamente” – o vice-presidente da Assembleia da República pede calma aos apoiantes de Portas: “Já se percebeu que o partido vai mudar, Ribeiro e Castro e Maria José Nogueira Pinto já perderam, e quem vai ficar com o partido no futuro é que vai ter que recuperar a sua imagem. Não podemos deixar que se degrade ainda mais.”