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Tarde e a más horas

O PS decidiu ontem o óbvio. Desde as últimas presidenciais que os socialistas estavam reféns de Alegre. Apoiá-lo não era uma escolha, era apenas aceitar as consequências da vontade de uma pessoa e da ausência de vontade de um partido.

Ricardo Costa (www.expresso.pt)

Nunca percebi porque o PS demorou tanto tempo a tomar uma decisão  inevitável. O adiamento enfraqueceu um pouco Alegre (para alegria de alguns socialistas) mas enfraqueceu muito mais o PS. Esse adiamento aumentou exponencialmente as vozes contra a candidatura que existem dentro do PS...

Esta "cisão" não era totalmente evitável: os soaristas seriam sempre contra Alegre. Mas era controlável se Sócrates tivesse dado logo a entender qual era a sua vontade. Não o fez propositadamente: quis adiar um confronto desagradável com Mário Soares, que vai, óbvia e publicamente desafiar a disciplina de voto do partido que fundou.

Ao atrasar tudo, Sócrates não evitou nada: tem que apoiar Alegre, tem que confrontar Soares e fica com um PS ainda  mais dividido numa altura em que isso não (lhe) podia acontecer.