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Tailândia: Governo rejeita cessar-fogo

O governo da Tailândia recusou hoje um cessar-fogo dos camisas vermelhas. Os confrontos baixaram de intensidade em Banguecoque.

O governo tailandês rejeitou hoje os repetidos apelos para um cessar-fogo dos "camisas vermelhas" e excluiu qualquer negociação enquanto estes não abandonarem Banguecoque.

Entretanto, os confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança baixaram de intensidade em Banguecoque depois de quatro dias de cenas de guerrilha urbana de grande violência.

Colunas de fumo negro no céu da capital demonstravam uma tensão persistente. Um imóvel comercial foi incendiado.

38 mortos

Mas não foi registado qualquer confronto importante nos diversos pontos quentes em torno do bairro controlado pelos manifestantes.

No total, 38 pessoas morreram e perto de 300 ficaram feridas em quatro dias. Na segunda-feira à noite, um líder dos manifestantes, Nattawut Saikuar, telefonou para um alto responsável governamental, para lhe propor que os soldados parassem de atirar contra os manifestantes e que os que se confrontam com o exército nas entradas da "zona vermelha" fossem em contrapartida autorizados a ali entrar.

Falta de bom senso

"É uma falta de senso", respondeu o vice-primeiro ministro tailandês, Suthep Thaugsuban. "Os responsáveis da segurança não atiram contra os civis (...). Eles exercem as suas funções de acordo com as ordens das autoridades", adiantou.

"Os que atiram são os terroristas", as forças de segurança só o fazem "em situação de legítima defesa", afirmou o número dois do governo, precisando que a estratégia de bloqueio da "zona vermelha" se iria manter.

No entanto, a grande maioria dos confrontos dos últimos cinco dias opôs manifestantes armados com ®cocktails Molotov¯ e petardos a militares autorizados a usar balas reais, segundo a agência noticiosa francesa AFP.

2000 manifestantes

As autoridades estimaram em mais de 2000 o número de manifestantes ativos no exterior do acampamento, incluindo entre 400 e 500 no limite norte e cerca de um milhar no sul.

Os manifestantes que ignoraram a ordem para dispersar do interior do bairro eram cerca de 5000, incluindo mulheres e crianças.

No entanto, as autoridades advertiram os ®vermelhos que ao não abandonarem o acampamento "violavam a lei" e arriscavam "penas de dois anos de prisão".

Mas até agora o exército não executou a evacuação pela força do acampamento.

Negociações suspensas

As negociações foram suspensas na última quinta feira, quando o primeiro ministro, Abhisit Vejjajiva, anulou a proposta, feita dez dias antes, de organizar eleições antecipadas em meados de novembro, exasperado pelas exigências incessantes dos "vermelhos".

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, "exortou os líderes a porem de lado o orgulho e a política para o bem do povo tailandês".

A crise perturba crescentemente a vida quotidiana dos 12 milhões de habitantes da capital, que foram convidados a permanecer em casa até ao fim da semana, declarada de feriados pelo governo.

As escolas públicas, a administração pública e numerosos escritórios permaneceram fechados e o metropolitano não circulou pelo quarto dia consecutivo. Apenas a Bolsa estava a funcionar quase normalmente.

Desde o início da crise em meados de março, 67 pessoas morreram e cerca de 1700 ficaram feridas.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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