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Submarinos: Contra-almirante tinha liberdade para ajudar consórcio

O chefe de Estado Maior da Armada na altura dos contratos dos submarinos revelou que o contra-almirante referido na investigação estava reformado e era livre de apoiar o consórcio alemão.

Vidal de Abreu, chefe de Estado Maior da Armada (CEMA) aquando da celebração do contrato dos submarinos, adiantou hoje que o contra-almirante citado na investigação alemã estava reformado e "tinha toda a liberdade" de estar ligado profissionalmente ao consórcio.     Em declarações à agência Lusa, o almirante Vidal de Abreu, que antes de ser chefe do ramo foi o representante da Marinha nos grupos de trabalho que acompanharam o processo dos submarinos, caracterizou o contra-almirante Rogério d'Oliveira, que alegadamente recebeu um milhão de euros após a assinatura do contrato entre Portugal e o consórcio alemão, como "uma pessoa com competências firmadas na área da construção naval" e que, por estar na reforma, tinha "liberdade" para exercer uma "atividade comercial ou de assessoria".     "Se foi feita por ele ou por alguém qualquer tentativa de ilegalidade, no sentido de convencer políticos ou outras pessoas a tomar qualquer decisão, isso acho que deve ser investigado. O que não é legal deve ser investigado, até para deixar as suspeitas completamente claras", ressalvou, notando, contudo, que o próprio Rogério d'Oliveira (que hoje terá perto de oitenta anos) "não escondia a relação" com os alemães.  

Nada era condenável 

"Vi-o muitas vezes a acompanhar representantes do consórcio em Portugal e a falar com eles e a introduzi-los, a apresentá-los. Era uma coisa perfeitamente às claras e ele esteve inclusivamente presente em algumas reuniões no Ministério da Defesa", adiantou o antigo CEMA.     "Pela forma aberta como tudo se passava, a consciência que tenho é que era tudo mais que legal e não era condenável sobre ponto de vista nenhum", reforçou.     Segundo Vidal de Abreu, a ligação deste militar na reforma a esta empresa "é uma prática perfeitamente comum".     "A Airbus tem representantes em Portugal, a Boeing tem representantes em Portugal, para todos esses equipamentos que os construtores pretendem colocar ou vender arranjam pessoas bem colocadas e de categoria para os representarem", disse.  

Engenheiro naval "brilhante" 

Neste sentido, também o ex-CEMA Vieira Matias disse conhecer o contra-almirante Rogério d'Oliveira e apontou-o como "um engenheiro de construção naval brilhante, autor do projeto das corvetas portuguesas, que até foram copiadas pelos estaleiros espanhóis".     "É um oficial de Marinha reformado, um cidadão com total liberdade de atuação. Se presta algum serviço a empresas, não vejo por que é que não o há de fazer (...). Está reformado há vinte anos, não vejo o que se possa dizer, se presta serviços remunerados a essa empresa", sustentou.     Vieira Matias referiu ainda que o antigo professor da Escola Naval e ex-presidente da Academia de Marinha não tinha em 2004, ano da assinatura do contrato, "nenhuma capacidade de decisão na Marinha" e "não pertencia às Forças Armadas no ativo".  

Poder de decisão relativo

Já Vidal de Abreu, como chefe do ramo na concretização do contrato e elemento ligado a todo processo, sublinhou que todos os representantes da Marinha tinham um "poder de decisão que não era totalmente autónomo" e que tudo era "escrutinado em termos de cadeia de comando, o que torna as coisas muito mais improváveis" relativamente a um eventual caso de corrupção ou favorecimento.     "Por tudo o que uma pessoa vai vendo, e com a idade que eu tenho já vi, uma pessoa não pode garantir que há coisas que não são possíveis. Aquilo que posso dizer é que, pelo conjunto de pessoas que estavam a trabalhar neste processo, da parte da Marinha, considero altissimamente improvável que tenha havido alguém a receber qualquer coisa para decidir num sentido ou noutro. Estas coisas estavam extremamente escrutinadas", acentuou.       *** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***  

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