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Souselas acorda em sobressalto

O ministro do Ambiente acordou o «fantasma» da co-incineração que a população de Souselas parecia ter guardado no armário das coisas a deitar fora.

Entre o avança e o recua, os estudos e os testes, a população parece ter acreditado que tinha vencido o braço-de-ferro com o Governo. Mas isso não passou de um sonho. E a velha luta ganha um novo fôlego. A publicação em Diário da República da decisão do ministro que isenta as cimenteiras de fazer novo estudo de impacto ambiental acende, de novo, a fogueira e tudo indica ter vindo pôr um ponto final na discussão.

Pelo menos assim entende o ministro que parece ter fechado a porta a novos diálogos. Afinal, os estudos que tinham que ser feitos, já o foram... ainda que tenham passado mais de meia dúzia de anos. Durante os quais, ninguém garante que não tenha havido mudanças aos mais diversos níveis.
 
Quem não está pelos ajustes é a Junta de Freguesia de Souselas que veio de imediato para a rua garantir que vai avançar para os tribunais, ao mesmo tempo que irá apresentar uma queixa contra o Governo português na Comissão Europeia. Formas que pretendem acordar uma velha luta que deixou várias imagens de dor e revolta na nossa memória colectiva.

Resta agora saber se a população que se tem batido contra a co-incineração na fábrica da Cimpor em Souselas desde os tempos do ministro Sócrates, ainda continue com força para se bater contra o primeiro-ministro José Sócrates.

Sem querer entrar em questões técnicas - que prefiro deixar para quem percebe do assunto - admito que Souselas e Coimbra, em particular, e a região Centro em geral, merece, ou tem direito, a ser sossegada e a sentir que a sua saúde é bem mais importante para o Governo do que as questões meramente económicas...

Se já há estudos que provam que a população tem razões para estar mais doente, se as condições físicas e climatéricas, por exemplo, mudam de ano para ano, será que a população não tem direito a novas avaliações que, quanto mais não seja, venham dizer que nada se agravou e que os receios que existiam continuam a existir... ou não? Não me parece que seja pedir muito, tendo em conta que se trata de um "investimento" a muito longo prazo.