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Sondagem eleições Câmara de Lisboa: Costa no castelo

O actual presidente alcança uma larga margem sobre o ex-presidente Santana Lopes. Eleitores de Carmona são o fiel da balança.

António Costa ganha folgadamente a Pedro Santana Lopes nas eleições para a Câmara de Lisboa (15% de diferença) e elege oito vereadores, insuficientes, contudo, para a maioria absoluta. É o resultado do primeiro estudo de opinião após o anúncio oficial de Santana como candidato do PSD. O trabalho, realizado pela Eurosondagem, foi encomendado pelo PS.

Só Costa e Santana têm subidas significativas e 'abastecem-se' sobretudo no eleitorado de Carmona Rodrigues. Este já revelou que desiste de ir novamente a votos. "O eleitorado de Carmona é o mais disponível e liberto para votar em quem entender", diz Rui Oliveira Costa, responsável técnico da Eurosondagem.

Cidadãos por Lisboa (de Helena Roseta) e PCP mantêm a expressão de 2007. Os comunistas disputam palmo a palmo o segundo vereador com o CDS/PP, que regista uma subida - em parte com votantes de Carmona, segundo Oliveira Costa. Quem desce (e perde o vereador) é o Bloco de Esquerda, a sentir a erosão da ruptura com José Sá Fernandes.

A um eleito da maioria absoluta, ainda assim não será fácil a Costa superar essa fasquia. "Precisaria de 43% a 44%", salienta Oliveira Costa. "Em 2005, Carmona alcançou 43% e isso não chegou".

Ana Drago e Teresa Caeiro estão no inquérito por "indicação" do cliente da Eurosondagem. O critério é considerar "os nomes mais fortes" dos dois partidos, explica Oliveira Costa. Aliás, se vierem a ser candidatos - Drago e Caeiro não beneficiam hoje dessa exposição mediática - "cada uma subirá 1% ou 1,5%", vaticina.

Outro candidato que tem tudo a ganhar é o do PSD. "Santana tenderá a subir", diz Oliveira Costa. Uma questão é esta sondagem; "outra é o Pedro em campanha".

Para António Costa Pinto, "tendo em vista a imagem negativa que lhe está associada, o resultado nem é um mau ponto de partida para Santana, ainda que pareça baixo". Segundo o historiador, "o peso do candidato conta muito na campanha. O grande problema para ele será o efeito de volatilidade de Carmona e o impacto em Lisboa da imagem do PSD a nível nacional".

Já para Carlos Jalali, a subida do PS "é assinalável" e "surpreendente". O politólogo sublinha que o PS "não superou os 30% nem em 2005 nem em 2007; aqui tem mais de 40%".

Para Jalali, há "péssimas notícias" para Santana. Uma delas: "O PSD obtém nesta sondagem apenas 60% do qu¤e obteve nas autárquicas de 2001 (com Santana como candidato) ou nas autárquicas de 2005". A outra é só haver 14% de inquiridos que 'Não sabem/Não Respondem'. "O eleitorado potencialmente 'disponível' parece assim relativamente escasso, o que favorece Costa".

A descida do BE, de que beneficia Costa, gera leituras convergentes. "Talvez comece aqui o seu primeiro revés eleitoral" (Costa Pinto); "Fica demonstrado que Sá Fernandes tem eleitorado próprio" (Oliveira Costa). Quanto à fixação de eleitores, tudo está dentro das expectativas no caso dos comunistas - "o eleitorado da CDU em Lisboa é muito sólido e muito concreto", afirma Oliveira Costa.

Já em relação a Roseta a leitura é de sentido contrário. "Surpreende-me", exclama Oliveira Costa. "Sugere uma consolidação relativamente rápida do seu eleitorado" 'independente'", acrescenta Jalali. "A confirmar-se o resultado, é uma boa notícia para um eventual partido alegrista".

Estudo de opinião efectuado pela Eurosondagem, SA, nos dias 18, 19 e 22 de Dezembro de 2008. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores seleccionados e supervisionados, entre as 19 horas e as 22 horas. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente no concelho de Lisboa e habitando em lares com telefone da rede fixa. Foram efectuadas 1.825 tentativas de entrevistas e, destas, 315 (17,3%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. Foram validadas 1.510 entrevistas, correspondendo a 82,7% das tentativas realizadas.

A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma resultou, em termos de sexo: feminino 51,7% e masculino 48,3%; no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 30 anos, 20,5%; dos 31 aos 59, 54,0%; com 60 anos ou mais, 25,5%

. O erro máximo da amostra é de 2,52%, para um grau de probabilidade de 95%.

 

Texto publicado na edição do Expresso de 27 de Dezembro de 2008