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Soldado do povo ou do rei?

Aos 59 anos, o general Sondhi, amigo pessoal e homem de confiança do rei Bhumipol, é o primeiro muçulmano a tomar o poder na Tailândia.

O general Sondhi Boonyaratkalin, de 59 anos, é o primeiro muçulmano a tomar o poder na Tailândia, um país maioritariamente budista mas confrontado com uma insurreição muçulmana no Sul, que causou mais de 1.700 mortos nos dois últimos anos.

Tido como amigo pessoal e homem de confiança do rei Bhumipol, o general Sondhi foi nomeado chefe de estado-maior general das Forças Armadas tailandesas em 2005 por Tashkin Shinawatra (o deposto primeiro-ministro), mas desentenderam-se sobre a melhor forma de combater a rebelião.

Filho de um militar, ex-combatente no Vietname e ex-chefe das Forças Especiais, Sondhi considerava que a política musculada aplicada pelo Governo nas províncias do sul, de maioria muçulmana, só tinha contribuído para agravar a violência. Preconizava a procura de uma solução negociada para o conflito.

Durante as violentas manifestações anti-Tashkin da Primavera, Sondhi Boonyaratkalin adoptou uma posição discreta, rejeitando, quer o recurso aos militares para reprimir a oposição, quer uma intervenção militar contra o Governo.

Há uma semana afastou a possibilidade de um golpe de estado, que considerou “impossível” porque a tutela dos militares sobre o poder político na Tailândia “pertence ao passado”.

Os atentados do passado fim-de-semana no sul, que causaram quatro mortos (entre os quais um turista canadiano) e dezenas de feridos, parecem ter levado o rei Bhumibol a pedir a intervenção da tropa. O soberano, muito popular e venerado pelos tailandeses, receava que a violência afectasse o turismo, principal fonte de receita do país, ainda a recuperar dos efeitos do tsunami de 2003.

“A situação do país causa muito sofrimento a Sua Majestade. Se há alguma coisa que eu ou os militares podemos fazer pelo país, estou disposto ao fazer porque sou um soldado às ordens do rei”, declarou Sondhi, em Maio.

Os soldados e os blindados que saíram às ruas de Banguecoque, na terça-feira, ostentavam fitas e faixas amarelas, as cores da família real, levando a população a acreditar que os revoltosos tinham a aprovação do monarca. Não houve resistência e o golpe foi consumado sem derramamento de sangue.