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Sócrates e Zapatero discutem terrorismo

A XXIII cimeira ibérica que esta sexta-feira começa em Braga vai ter uma dupla agenda, política e civil. Mas o tema fundamental será a colaboração política de Portugal e Espanha no campo militar.

Ricardo Jorge Pinto

No Mosteiro de Tibães, Sócrates e Zapatero sentam-se esta sexta-feira perante uma longa lista de assuntos, desde a Defesa e Segurança à Nanotecnologia, passando pela energia e pelas pescas. Mas no exterior da sala de negociações, são igualmente muitos os grupos que aproveitam a cimeira ibérica para apresentar as suas propostas e protestos, desde os Amigos de Olivença aos espanhóis que trabalham em Portugal e estão cansados do que dizem ser uma caça à multa ao carros em que circulam.

A atenção mediática deste encontro luso-espanhol tem-se centrado em grande parte na criação do Laboratório Internacional de Nanotecnologia - um mega-projecto científico que atrairá para os terrenos de um antigo parque de diversões de Braga investigadores de todo o mundo. Mas o tema politicamente mais relevante deste encontro será a constituição de um Conselho de Defesa e Segurança, que estabelece os contornos de colaboração entre as forças armadas dos dois países em acções de combate ao terrorismo internacional.

Os primeiros-ministros português e espanhol vão rodear-se dos respectivos ministros da Defesa e também dos Negócios Estrangeiros, bem como dos chefes do Estados Maiores das Forças Armadas. O objectivo é criar uma plataforma de entendimento entre os dois governos no que diz respeito a matérias de Defesa Militar, que extravasam as fronteiras nacionais. Ou seja, Sócrates e Zapatero querem canais de comunicação eficazes para o momento em que tiverem de tomar decisões de política de defesa externa, como por exemplo a participação em acções de paz ou militares no estrangeiro.

Mas no exterior do Mosteiro de Tibães vários grupos de activistas montaram arraiais para chamar a atenção para problemas que ficaram de fora da agenda de trabalhos desta cimeira. Os Amigos de Olivença não querem ver esquecidas as questões de estabelecimento de fronteiras entre os dois países, tal como há quem queira ver debatido o percurso do futuro TGV entre Porto e Vigo. Quem também tem chamado a atenção dos média é um grupo de espanhóis que diz representar os compatriotas que vivem em Portugal e que se dizem perseguidos pelas autoridades policiais por causa dos seus carros de matrícula de Espanha.

A cimeira termina amanhã ao final da manhã, com uma conferência de Imprensa conjunta dos dois governos.