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Sócrates chama CGD para responder à crise

Governo aumenta mil milhões no capital social da Caixa, mas não consegue quantificar impacto do plano anti-crise.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou esta tarde na Assembleia da República que o Estado decidiu aumentar o capital social da Caixa Geral de Depósitos em mil milhões de euros, uma medida com o objectivo de permitir a este banco "emprestar dinheiro à nossa economia".

O anúncio foi feito durante o debate quinzenal com a oposição, com Sócrates a sustentar que "nunca como agora o país precisou tanto do banco público". O chefe do Governo considerou ainda "absolutamente lamentável a demagogia da oposição" sobre a actuação do Executivo perante a crise financeira e económica - mas não se livrou de novas críticas, à esquerda e à direita, quer pelas opções tomadas (nomeadamente em relação ao Banco Privado Portugues), quer pela falta de resultados dos muitos anúncios feitos pelo Governo em relação à escassez de crédito.

A oposição não esqueceu igualmente a ameaça feita pelo Ministro das Finanças de retirar as garantias aos bancos, caso estes não facilitem o acesso das empresas e das famílias ao crédito. Mas essa foi uma questão a que Sócrates fugiu sempre. O mais que disse foi que "o ministro das Finanças fez muito bem em apelar aos bancos" - apelar, note-se, quando Teixeira dos Santos fez mais que isso: admitiu expressamente, ainda que como "cenário extremo", a hipótese de o Governo recuar na garantia que deu aos bancos, "havendo incumprimento das condições da garantia".

"Uma irresponsabilidade", acusou Paulo Rangel. "O ministro das Finanças lançou a bomba atómica e o primeiro-ministro não tem explicação nenhuma a dar", resumiu o líder parlamentar do PSD, que foicou parte da sua intervenção no falhanço das várias linhas de crédito sucessivamente anunciadas pelo Governo. "São linhas de descrédito", sentenciou.

Também Paulo Portas questionou o Governo sobre as garantias que têm sido pedidas, ou não, aos bancos que recorram à garantia do Estado e, entre outras propostas, defendeu a criação da figura do mediador de crédito, que possa ajudar o relacionamento entre empresas em dificuldades, os bancos e o Estado.

O outro grande ponto de discussão foi o plano de ajuda à economia anunciado no fim-de-semana e as suas consequências. Toda a oposição notou que o novo plano ultrapassa o Orçamento do Estado aprovado há apenas duas semanas, cujos pressupostos se demonstraramn, entretanto, completamente errados.

Questionado por Paulo Rangel sobre o impacto do plano sobre a previsão de crescimento da riqueza nacional e sobre a estimativa para o desemprego, Sócrates não foi capaz de responder. Em relação ao desemprego, disse apenas que o plano de reanimação da economia vai "salvar muitos empregos". Sobre o impacto no PIB, repetiu o que Teixeira dos Santos já tinha dito: o plano permitirá acrescentar 0,7% ao PIB.

O problema, como notaram Rangel, primeiro, e Francisco Louçã, depois, é que neste momento ninguém sabe qual seria o PIB estimado sem o plano de emergência. Ou seja, esses 0,7% somam-se ao crescvimento de 0,6% que já estava incrito no Orçamento do Estado para 2009? "Prevê um crescimento de 1,3% do PIB?", perguntou Louçã, fazendo uma soma simples. Sócrates fugiu: "em janeiro haverá novas previsões, "com o cenário macro-económico actualizado". Paulo Rangel já tinha deixado antes a conclusão: "É evidente que o senhor primeiro-ministro não sabe" o impacto do plano anti-crise sobre a taxa de crescimento e sobre o desemprego.

Alheio às críticas, Sócrates repetiu o que já havia dito no sábado, ao anunciar o plano anti-crise ("A isto chama-se agir e não ficar sentado à espera que a crise passe") e acusou a oposição de se lkimitar ao "bota-abaixismo", sem apresentar alternativas credíveis.