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Sócrates: Casamento gay torna a sociedade "melhor"

"É uma lei humanista", afirmou o primeiro ministro. Sobre a posição do Presidente da República, José Sócrates disse entender "todos os argumentos contrários".

O primeiro ministro afirmou hoje que a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo torna a sociedade "melhor", defendendo que "nenhuma questão, nem social, nem económica, deve servir de desculpa" para não avançar "no campo dos direitos".

Falando aos jornalistas antes de um almoço no Palácio de São Bento com várias associações defensoras dos direitos homossexuais e LGBT, José Sócrates sublinhou que "esta não é uma lei que visa distinguir este ou aquele grupo na sociedade, é uma lei que reduz as desigualdades, a discriminação no nosso país".

"É uma lei humanista", resumiu, no dia em que a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi publicada em Diário da República.

Compreensão do lado contrário

Questionado sobre a posição do presidente da República, que numa declaração ao país invocou o interesse nacional e a crise para promulgar o diploma, o chefe do Governo recusou referir-se diretamente às palavras de Cavaco Silva, mas salientou ter expressado "compreensão por todos os argumentos contrários".

"E respeito quem não está de acordo, mas igual respeito peço pela minha opinião, fiz isto porque estou absolutamente convencido de que este era o momento para dar um passo em frente neste domínio, para dizer a todos os homossexuais que nós queremos que eles tenham os mesmos direitos que todos os outros", afirmou.

E depois acrescentou: "Uma das coisas que eu sempre disse é que nenhuma questão, nem social nem económica, deve servir de desculpa para não fazermos aquilo que temos de fazer no campo dos direitos, todos aqueles que se batem por direitos sabem que este é sempre o momento para fazermos isso".

"Eu sei que o país tem outros problemas e estamos empenhados neles, mas não vejo razão nenhuma para que, no meio de tudo isso, não encontremos espaço para não fazer aquilo que devemos, que é promover uma sociedade mais justa e sem discriminação", advogou.

Luta contra a discriminação

Sócrates disse ainda ser "completamente estranho" ao debate sobre uma candidatura à direita, alternativa a uma eventual candidatura de Cavaco Silva.

"Fi-lo por acreditar que era uma lei importante, não apenas para acabar com a discriminação, mas uma lei que, finalmente, dá mais felicidade a pessoas que precisavam dessa felicidade", sublinhou.

"A luta contra a discriminação é um trabalho sem fim, certamente que nunca terminará, mas esta lei é um passo na direção certa, eu não posso perceber como é que alguém na nossa sociedade fique incomodado apenas porque algumas pessoas ficaram mais felizes hoje", disse.

Sobre o alargamento da adoção a casais homossexuais, José Sócrates referiu que "haverá certamente espaço para" esse debate, preferindo "sublinhar o passo histórico" de hoje.

Referindo não ter orgulho na forma como a sua geração tratou os homossexuais, Sócrates defendeu o diploma hoje promulgado como "uma lei que honra uma sociedade humanista, que deseja que todos sejam iguais e em que não haja nenhum tipo de discriminação".

"E houve tanta discriminação, tanto sofrimento, tanta humilhação, e sem nenhuma razão", concluiu.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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