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Soares alerta para situação social explosiva

Para que não se repitam em Portugal os distúrbios ocorridos em França e na Grécia, o antigo Presidente diz que se deve tomar o pulso do país e ouvir as pessoas na rua. 

Num artigo de opinião hoje publicado no "Diário de Notícias", Mário Soares considera que na actual situação de "crise latente, que fere em consciência as classes médias, qualquer pretexto serve para gerar a revolta. Maio de 68 foi assim".

O antigo Presidente refere o sentimento de indignação que causa o facto de, ao mesmo tempo que se pedem sacrifícios, o Estado desviar milhões, "que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas".

O artigo tem como pano-de-fundo o actual cenário de crise os actuais violentos distúrbios que têm lugar nas ruas da Grécia e os anteriormente ocorridos em França. Soares considera que a situação varia de país para país, mas que o cenário geral é preocupante e que a União Europeia não está a ajudar nada em aprovar um plano para injectar dinheiro nos bancos e grandes empresas, mas sem ter em conta o descontentamento e revolta que causam nas opiniões públicas. Um plano que considera não passar de um paliativo, "sem perspectiva", "para que fique tudo na mesma".

"Portugal também não deve ficar indiferente. Com as desiguladades sociais sempre a crescer, o aumento do desemprego que previsivelmente vai subir imenso, em 2009, a impunidade dos banqueiros delinquentes, o bloqueio da Justiça, e em especial, do Ministério Público e das polícias, estão a criar um clima de desconfiança - e de revolta - que não augura nada de bom. Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e nas empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir".