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Segunda escusa no processo a Ricardo Sá Fernandes

José Manuel Morbey Mesquita, segundo relator do processo disciplinar da Ordem dos Advogados a Ricardo Sá Fernandes, também pediu escusa.

Joaquim Gomes (www.expresso.pt)

José Manuel Morbey Mesquita é sócio de João Folque, que defende Carlos Vasconcelos (quadro superior da Refer) no caso Face Oculta, tal como Ricardo Sá Fernandes é defensor de Paulo Penedos no mesmo processo.

Esta situação terá sido uma das razões invocadas para a escusa de José Manuel Morbey Mesquita. O advogado também fez parte da lista de António Costa, a par de José Sá Fernandes, também ele envolvido no caso da alegada corrupção de Domingos Névoa, em 2006, por supostamente ser o alvo da tentativa de suborno.

Domingos Névoa foi absolvida pela Relação de Lisboa, que entendeu que o crime nunca poderia existir, depois de condenado a uma pena de multa de cinco mil euros, aplicada pelo Tribunal da Boa Hora.

Caso Sá Fernandes sofre segunda escusa 

José Manuel Morbey Mesquita já tinha substituído, por sua vez, a primeira relatora, Maria José Bravo, vogal do Conselho de Deontologia da Ordem dos Advogados.

A causídica, com escritório no Seixal, acusou Ricardo Sá Fernandes de violação do dever de sigilo profissional, renunciando depois ao cargo por alegadas razões pessoais, após ter sido submetida a intervenção cirúrgica.

Ricardo Sá Fernandes, depois de consultar o processo em que é acusado, pediu a nulidade do processo, invocando que a anterior relatora não inquiriu qualquer das testemunhas por si indicadas.

O mediático advogado alega que nunca teria actuado enquanto profissional, mas sim como irmão do vereador José Sá Fernandes, quando aceitou gravar conversas com Domingos Névoa.

Versões contraditórias

Segundo Ricardo Sá Fernandes, Domingos Névoa teria oferecido 200 mil euros ao seu irmão, o vereador José Sá Fernandes, para que o autor da acção popular administrativa desistisse do processo movido, ainda como "cidadão de Lisboa", para travar a permuta do Parque Mayer por metade dos terrenos da antiga Feira Popular.

O empresário diz ter sido Ricardo Sá Fernandes, sócio da sua advogada em Lisboa, Rita Matias, a solicitar-lhe meio milhão de euros, descendo depois a proposta até 200 mil euros, supostamente destinada a pagar custos com a campanha eleitoral e despesas pessoais do então vereador independente do Bloco de Esquerda. Uma versão que os irmãos Sá Fernandes rejeitaram sempre.