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"Se há médicos que não trabalham, a culpa é do presidente do São João"

Líder da Ordem dos Médicos acusa administrador do Hospital de São João de falta de ética ao não divulgar porque há 30 cirurgiões que nunca foram ao bloco operatório

Isabel Paulo (www.expresso.pt)

José Manuel Silva, presidente da Ordem dos Médicos, diz que se há 30 cirurgiões no São João que não operam é porque têm outras funções ou se não trabalham já deviam ter sido despedidos.

António Ferreira, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Sâo João, disse ontem na TVI que 30 cirurgiões do seu estabelecimento de saúde "nunca foram ao bloco operatório".

"Cada cirurgião faz em média uma cirurgia por semana", sublinhou ainda António Ferreira, acrescentando que o cirurgião com maior número de operações fez 12 cirurgias por semana, outros fizeram duas e 30 nenhuma.

As declarações do presidente do Conselho de Administração do São João deixaram "perplexo e indignado" o líder da Ordem dos Médicos, que desafia António Ferreira a explicar porque razão isto acontece em vez de estigmatizar os médicos.

"Ele não tem o direito de atirar para o ar a suspeita de que há cirugiões que andam a passear pelos corredores ou nem sequer vão ao hospital. E a ser verdade, então é bom que explique porque razão isto acontece, frisa José Manuel Silva.

Presidente do São João também não tem atividade clínica

Para o presidente da Ordem dos Médicos, se há um quadro de 30 médicos que não vão ao bloco operatório é porque serão chefes de serviço ou estarão a exercer outro tipo de funções.

"O presidente do hospital é que tem de explicar o que fazem esses 30 cirurgiões, pois se de facto não trabalham já deveria ter prevenido a situação e atuado de forma a que fossem despedidos, afirma.

O líder da Ordem conclui que não é ético avançar resultados macro, sem demais explicações, suscetíveis de distorcer a realidade.

"Pela sua lógica, também posso divulgar que há um internista no São João que não faz consultas, nem tem atividade clínica. É o presidente do Conselho de Administração do São João", conclui o presidente da Ordem dos Médicos.