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SCUT: Reservas para chips com muita desinformação

Já há quem esteja a reservar o dispositivo eletrónico de matrícula nos CTT, mas o descontentamento e a desinformação é geral.

Nas estações dos correios de Ovar e Feira, dois concelhos afetados pela introdução de portagens na A29, já há muita gente a reservar os dispositivos eletrónicos de matrícula, mas o descontentamento é geral e a desinformação também.

Eduardo Garranas perdeu uma manhã "com esta brincadeira". Foi aos correios de Ovar levantar os impressos, regressou a casa para os preencher com os dados do carro, voltou ao balcão para entregar a papelada e, afinal, foi-se embora outra vez porque "estava tudo escrito a caneta azul e tinha que ser a preto".

"Paga-se tudo e não há volta a dar"

Depois do almoço, enquanto aguardava na fila até que os correios reabrissem, desabafava: "Isto está muito mal feito. Primeiro, nem nos deviam cobrar portagens porque não temos outra estrada de jeito por onde andar e, se dizem que temos alternativa, é porque não circulam todos os dias na EN 109, para saberem como aquilo é. Depois, como se isso não bastasse, dizem que o chip não tem custos, mas logo a seguir vêm cobrar-nos 25 euros".

"Neste país paga-se tudo e não há volta a dar", declara. "Arranjam sempre maneira de nos ir ao bolso".

No caso de Eduardo, o dispositivo é necessário apenas para um carro e será utilizado duas a três vezes por semana. O caso do primo preocupa-o mais porque, "como ele tem quatro camiões, dá para ter ideia do tempo e do dinheiro que vai gastar com isto, já para não falar do preço a que depois vão ficar os fretes".

Para Jaime Barge, "o problema é os políticos fazerem as leis sentados à secretária, em vez de irem para o terreno conhecer a realidade".

"Como é que os turistas vão pagar?"

Daí resulta a série de dúvidas que Jaime coloca: "Como é que os turistas vão pagar a portagem? Vão comprar um chip só para uma ou duas semanas em Portugal? E os camionistas que vêm de França? Também vão ter que pôr um chip em cada camião que venham a conduzir por aí abaixo?".

Fora da estação dos correios, há seis pessoas e nenhuma sabe responder a estas questões. Lá dentro, uma funcionária começa por corrigir uma impressão que parece generalizada: "Os 25 euros que se pagam no início ficam de crédito no chip. São todos utilizáveis e é daí que sai o pagamento das portagens. Depois, basta fazer um carregamento de 10 euros de cada vez que o saldo acabar".

Esse esclarecimento não impede que as contradições se mantenham relativamente a outros aspetos. É o caso da opção entre o chip e a Via Verde: em Ovar diz-se que há mais vantagens em aderir à Via Verde porque esse sistema tanto se pode utilizar nas autoestradas normais como nas SCUT (autoestradas sem custos para o utilizador); nos correios da Feira defende-se que a Via Verde nem deve ser opção porque vai deixar de existir a 1 de janeiro, quando o chip de matrícula passa a ser obrigatório em qualquer viatura.

À espera da aprovação

O certo é que, apesar de algumas dezenas de pedidos já terem dado entrada nos correios da Feira, a maior parte das pessoas que comenta o assunto diz que não faz a reserva do dispositivo antes de quinta feira, dia em que o assunto é submetido à aprovação da Assembleia da República.

Se a medida não avançar, ficam os funcionários dos CTT mais aliviados, "porque nem vale a pena falar de quanto esta história dos impressos e das reservas vai atrapalhar o serviço normal dos correios".

Se o Parlamento se decidir pela obrigatoriedade do uso do chip, haverá certamente quem cumpra a lei, mas outros avisam já que não alinham "nessa história", da qual ainda nem sequer tinham ouvido falar.

"Com multa ou sem multa, eu não compro chip nenhum", garante Nelson Lopes, ao balcão dos correios da Feira. "Começam pelo carro e um dia destes também me obrigam a pôr um chip no corpo, como se eu fosse uma máquina. Eu cá não caio nessa conversa. Era mesmo o que me faltava.".

***Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.