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Sarkozy desafia sindicatos

Depois das greves e manifestações dos funcionários e professores, ontem, os trabalhadores dos transportes vão paralisar o país na próxima semana. Um governante disse que a greve é algo do "passado" e propôs que os trabalhadores usem "braçadeiras à japonesa em vez da greve".

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

Ontem à tarde, ainda nem sequer tinham terminado as manifestações, que reuniram em toda a França entre 200 mil e 300 mil pessoas, o Presidente Nicolas Sarkozy já desafiava os sindicatos.

Ao anunciar o lançamento de um serviço mínimo obrigatório no ensino para não penalizar as famílias em caso de greve, Sarkozy não respondeu a qualquer das reivindicações dos professores, estudantes e funcionários públicos.

Os sindicatos reagiram de imediato e indicaram que o movimento contra o serviço mínimo e a supressão de cerca de 30 mil postos de trabalho em toda a Função Pública vai continuar.

Os ministros da Educação e da Função Pública garantiram que o governo não recuará e disseram que, para combater o défice, é imperiosa a redução das despesas com a massa salarial nestes sectores.

Nos próximos dias o clima social vai continuar a adensar-se em França com a entrada em cena dos trabalhadores das redes dos caminhos-de-ferro, do metropolitano e da Air France. Os funcionários dos transportes vão iniciar uma greve contra o aumento do tempo de descontos para o cálculo das suas pensões de reforma. O braço de ferro está marcado para quinta-feira, 22, com greves e manifestações de diversos sectores profissionais em todo o país.

Os sindicatos, bem como a oposição, consideraram que o governo optou pela "provocação" com a instauração do serviço mínimo obrigatório durante as greves. E acusaram-no de querer "limitar o direito constitucional à greve" e de ter em mente projectos bem mais obscuros para enfraquecer os trabalhadores. Os receios dos sindicalistas subiram uns pontos quando ouviram o secretário de Estado da Função Pública, André Santini, a dizer que "existem outros meios de se exprimir" e que a greve é um modo de luta "do passado".

"Os grevistas deviam usar braçadeiras à japonesa em vez de fazerem greve porque não somos obrigados a ter de ser sempre o país mais revolucionário do planeta", disse Santini.

Hoje de manhã, o diário "le Fígaro", próximo do governo, colocou esta pergunta na sua página na Internet: "É favorável ao uso de uma braçadeira para substituir a greve?".

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