Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Saramago critica pavilhões diferenciados

José Saramago critica a autorização dada ao para pavilhões diferenciados, classificando-a como diferenciação de classes.

O Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, lamentou hoje que a Feira do Livro, em Lisboa, tenha sido adiada "sine die" e criticou a possibilidade de existirem pavilhões diferenciados, alegando que isso é diferenciar as classes.

"É lamentável que tenha sido adiada, não se sabe para quando", disse o escritor português no final de uma visita à exposição "José Saramago. A Consistência dos Sonhos", onde esteve a acompanhar o realizador brasileiro Fernando Meirelles, que dirigiu o filme "Blindness", uma adaptação do seu romance "Ensaio sobre a Cegueira".

Referindo-se à autorização para pavilhões autorizados, Saramago criticou a "diferença na apresentação dos livros de qualquer editora".

"Não me parece bem. Se nos pavilhões cabiam as pequenas e as grandes editoras, podiam continuar a caber", defendeu o Nobel da Literatura.

Para o escritor, esta "não foi uma boa solução" porque "abre portas a uma espécie de caos".

José Saramago caracterizou a Feira do Livro como uma "festa democrática", onde a existência de pavilhões diferenciados e eventualmente "imponentes", "exibe uma diferença de classes".

No sábado, a direcção da União dos Editores Portugueses (UEP) anunciou que a Feira do Livro, no Parque Eduardo VII, vai receber pavilhões diferenciados e poderá abrir ainda no final da próxima semana.

"O grupo LeYa pode instalar pavilhões de modelo diferente dos tradicionais. A decisão foi tomada na noite de sexta-feira, depois de uma reunião de mais de seis horas. Falta apenas assinar segunda-feira esse acordo", afirmou à agência Lusa Carlos Veiga Ferreira, da direcção da UEP.

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) recusa no entanto que o acordo esteja já firmado: "As negociações começaram sexta-feira e estão ainda a decorrer. Não há nenhuma decisão tomada", afirmou à Lusa Alexandra Melo da APEL.

No centro da polémica - que levou a Câmara de Lisboa a suspender a montagem dos pavilhões e a adiar a abertura da feira, inicialmente prevista para a próxima quarta-feira - estava a recusa da APEL em autorizar pavilhões diferenciados para o grupo LeYa, que detém algumas das editoras com mais autores nacionais (Dom Quixote, Caminho, Oficina do Livro).

  • Câmara de Lisboa, União dos Editores Portugueses (UEP) e Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) chegaram a acordo depois de uma reunião de mais de seis horas. Ainda está pendente a data de abertura do certame.

  • Acordo torna possível Feira do Livro

    A realização da Feira do Livro esteve por um fio mas vai mesmo realizar-se, depois de a APEL e o grupo editorial Leya, mediados pela Câmara Municipal de Lisboa, terem chegado a um acordo. Contudo, a inauguração foi adiada.