Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Sandokan, um herói de outros tempos

O actor indiano Kabir Bedi continua a participar em inúmeros filmes, mas nunca voltou a aproximar-se do enorme fascínio que causou nos anos 70 com “Sandokan”

Para aqueles que foram crianças nos anos 70 ele é uma referência incontornável: Kabir Bedi foi “Sandokan”, na série italiana que fez grande sucesso internacional. Portugal incluído. À data, o seu impacto foi tão grande que, quando desembarcava em diversos países Europeus, o actor costumava ter à sua espera uma autêntica legião de fãs, chegando a precisar de ser conduzido no meio de escolta policial.  

Baseada nos romances de aventuras de Emílio Salgari e filmada no sudeste asiático, a série televisiva recuava até meados do século XIX. Sandokan era um príncipe cuja família havia sido deposta e assassinada pelos colonizadores ingleses, dos quais jurara vingança, acabando por transformar-se num pirata, uma espécie de Robin Hood asiático, conhecido como o «Tigre da Malásia», que tinha um ajudante português, um imediato de nome Gastão.

Kabir Bedi já tinha alguma fama dentro da dinâmica indústria cinematográfica indiana de Bollywood quando foi escolhido para o papel, mas nada que se comparasse com o fascínio que iria causar no ocidente com a mini-série de aventuras. A sua fisionomia indiana conferia-lhe um toque exótico e contribui para o forte carisma que o passou a rodear. A popularidade do «bom rebelde» Sandokan passou muito para além do pequeno ecrã, dando azo a uma série de produtos criados em torno da sua imagem, desde t-shirts, jogos ou réplicas das suas roupas e armas rudimentares. Em Portugal existiu até uma loja de brindes chamada Sandokan!

Para Kabir Bedi a personagem abriu-lhe as portas da indústria do ocidente, tendo continuado até hoje a participar em inúmeros filmes e séries tanto norte-americanos e europeus como indianos. Nos anos 80 foi Gobinda, o vilão que tentou derrotar o famoso agente secreto 007 (na altura interpretado por Roger Moore) no filme “Octopussy”. Ao longo de um ano foi príncipe Omar na série televisiva “ The Bold And The Beautiful”. No novo épico de Bollywood “Taj Mahal” (com estreia marcada para 2007) encarna o imperador Shah Jahan, o homem por detrás da construção do grande monumento ao amor.

Mas as aventuras de Kabir Bedi vão muito para além do cinema ou televisão. Na vida real gosta de cultivar a imagem de um «playboy», boémio e mulherengo, que assume ter tido experiências na área das drogas ou do «amor livre», em fases mais conturbadas da sua vida. Natural da cidade de Mumbai, provêm de uma família de religião Sikh, mas a sua mãe converteu-se ao budismo. O espírito libertino de Bedi chocou muitas vezes com os fortes princípios religiosos dos seus pais. Foi casado três vezes, uma das quais com a bailarina indiana Protima Bedi, que após a separação escreveu um livro onde expunha comentários muito pouco abonatórios sobre a relação entre os dois. Das suas relações resultaram inúmeros filhos, alguns dos quais tornaram-se famosos, como a modelo internacional, Adam Bedi, ou a antiga actriz e actual colunista de revistas indianas, Pooja Bedi. Outro dos seus filhos, Siddharth Bedi, tornou-se notícia por motivos bastante mais trágicos, tendo-se suicidado algum tempo após lhe ter sido diagnosticada esquizofrenia.

Depois de tantos acontecimentos intensos Kabir Bedi mostra-se agora uma pessoa mais calma do que noutros tempos. Tem 60 anos e já é avó. E apesar de nunca ter repetido o êxito de Sandokan, pode congratular-se de ser um daqueles actores cuja carreira sobreviveu a uma personagem que marcou uma geração.