Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Rússia «satisfeita» com os resultados

Foram aprovados doze acordos que contemplam, entre outras, as questões relacionadas com a energia, educação, saúde e a crise no Médio Oriente.

O EMBAIXADOR da Rússia, Pavel Petrovsky, revelou hoje, em Lisboa, que o seu país está «satisfeito» com os resultados da Cimeira do G8, que terminou ontem em São Petersburgo. Foram assinados doze acordos, onde a energia, a educação e a crise no Médio Oriente foram os principais temas em destaque.

«A Cimeira foi positiva. Conseguimos discutir todos os assuntos em agenda e chegámos a uma plataforma de entendimento, incluindo a situação no Médio Oriente», afirmou esta manhã Pavel Petrovsky numa conferência de imprensa, na embaixada da Rússia.

Dos doze documentos aprovados pelos oito maiores líderes mundiais, a Rússia assinala três temas, da sua iniciativa, como as grandes prioridades. Primeiro, um acordo sobre «segurança energética global». «Pela primeira vez chegou-se a um entendimento sobre a necessidade de assegurar a segurança energética no mundo», explicou o embaixador russo. «Foram fixadas garantias de segurança para os países que consomem energia, para os que a vendem e ainda para os países de trânsito». O documento aprovado pelo G8 contempla ainda a promoção de tecnologias de poupança de energias e a luta contra a proliferação da construção de armas de destruição massiva.

Em segundo lugar, um acordo sobre o «ensino das sociedades dos século XXI». «O ensino tem um papel chave nos problemas migratórios, é uma forma de integração», evidenciou Pavel Petrovsky. No documento, ficou estipulado que todas as crianças, mesmo as dos países de terceiro mundo, têm de ter no mínimo a escolaridade básica e que o ensino de línguas estrangeiras deverá ser mais promovido.

Por último, a luta contra as doenças contagiosas. «Foram contempladas três doenças que merecem especial atenção: a sida, a malária e a tuberculose». Para esta última, o embaixador russo salientou o «importante papel» de Jorge Sampaio, actual enviado da ONU para a luta contra a tuberculose.

A crise no Médio Oriente foi um tema inesperado na agenda da Cimeira, mas mereceu especial atenção por parte de todos os participantes. Embora o G8 «não pretenda, nem possa, substituir o Conselho de Segurança da ONU», os chefes de Estado fizeram uma proposta para o fim dos conflitos. Entre as condições estabelecidas, Pavel Petrovsky enumerou as mais relevantes: os militares israelitas raptados deverão voltar ao seu país sãos e salvos; o lançamento de mísseis contra Israel deverá parar, assim como a investida militar israelita; os ministros e deputados da Palestina deverão ser libertados; os grupos armados do Líbano, com destaque para o Hezbollah, deverão ser desarmados.

Durante os três dias da Cimeira, o Presidente russo, Vladimir Putin, teve oportunidade de se reunir com todos os participantes. O encontro mais demorado foi com o presidente norte-americano George W. Bush, com quem se debruçou sobre as questões relacionadas com os direitos humanos, o Irão e a Coreia do Norte.

«Já passou um mês desde o encontro de Putin com o Presidente iraniano e nada mudou. Neste momento é o Conselho de Segurança da ONU que vai analisar a questão nuclear no Irão» , afirmou o embaixador russo.

A cidadania é já um tema constante nos encontros do G8 e Vladimir Putin não quis deixar de passar a sua mensagem: «Não é possível construir uma sociedade democrática sem respeitar os direitos humanos».