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Rui Tavares rompe com o Bloco de Esquerda

Francisco Louçã, com Marisa Matias, Rui Tavares e Fernando Rosas na noite das eleições europeias

António Pedro Ferreira

Eurodeputado Rui Tavares passa à condição de independente e deixa representação europeia do BE entregue a Miguel Portas e Marisa Matias.

Rui Tavares decidiu romper politicamente com o Bloco de Esquerda, depois de Francisco Louçã não lhe ter respondido a um pedido de desculpas público exigido pelo deputado europeu eleito como independente pelo Bloco de Esquerda.

O historiador exigira um pedido de desculpas público ao líder do BE, Francisco Louçã, depois de este o apontar como tendo estado na origem de informações enganosas sobre os fundadores desta força política.

A exigência de Rui Tavares consta numa nota de imprensa do seu gabinete no Parlamento Europeu e visava responder a um texto publicado por Francisco Louçã, às 23h18 de sexta-feira passada, na página do facebook do líder do Bloco de Esquerda (BE).

Perda de "confiança pessoal e política"

Segundo o eurodeputado independente, Francisco Louçã, nesse seu texto, sugere que ele, Rui Tavares, esteve na origem de informações falsas colocadas nos jornais "i" e "Sol" sobre os fundadores do Bloco, "fazendo desaparecer da história Fernando Rosas", substituído pelo ex-dirigente Daniel Oliveira (uma das vozes críticas da atual direção do Bloco).

Como Francisco Louçã não respondeu ao pedido de desculpas exigido por Rui Tavares, este, num comunicado divulgado hoje em Bruxelas, avança  ser-lhe "impossível manter confiança pessoal e política no coordenador nacional do Bloco de Esquerda e, em consequência, continuar a fazer parte da delegação no Parlamento Europeu do partido por ele liderado". Rui Tavares remete-se assim "à condição de deputado independente, integrado no grupo dos Verdes europeus".

Comunicado de Rui Tavares

"No passado sábado 18 de Junho divulguei uma nota de imprensa na qual respondia a comentários públicos de Francisco Louçã que comigo estavam relacionados. Como é sabido, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda, por via das suas duas páginas no Facebook, publicou uma nota de título "4 são mesmo 4" ligando-me à origem de informações erróneas sobre a fundação do BE que teriam vindo publicadas em dois jornais, e nas quais (cito a nota de Francisco Louçã) "Fernando Rosas desaparecia da história" da fundação do BE. Louçã escrevia que um jornalista teria sido "levado ao engano" por "uma conversa com o Rui Tavares", confessava-se "curioso acerca da coincidência de dois enganos tão estranhos" e ia mais longe, escrevendo que "é simplesmente uma falsificação a tentativa de retirar o Fernando desta história e de a refazer com novos protagonistas".

Na minha resposta - pública porque tinha sido pública a nota de Louçã - neguei que alguma vez tivesse declarado, a jornalistas ou quaisquer outras pessoas, em público ou privado, que Daniel Oliveira fosse um dos quatro fundadores do BE. Estranhei que Francisco Louçã, líder de um partido a cuja delegação no Parlamento Europeu eu pertenço, como deputado independente, não me tivesse contactado pessoalmente para satisfazer a sua curiosidade sobre este tema. Lamentei que o meu nome tivesse sido acompanhado, nessa nota, por palavras e expressões como "falsificação" ou "refazer a história", que são da maior gravidade para um historiador de profissão, como eu. E terminei: "O mínimo que espero de Francisco Louçã é que esclareça a confusão que levianamente criou, peça desculpas pelo facto, e retrate o seu texto."

Passaram três dias e nada disto aconteceu. Num comentário à sua nota, Francisco Louçã limitou-se a "registar" as minhas palavras.

Nestas condições, é-me impossível manter confiança pessoal e política no Coordenador Nacional do Bloco de Esquerda e, em consequência, continuar a fazer parte da delegação no Parlamento Europeu do partido por ele liderado, passando simplesmente à condição de deputado independente, integrado no grupo dos Verdes europeus.

Esta decisão foi em primeiro lugar comunicada aos meus colegas de delegação, Miguel Portas e Marisa Matias, a quem agradeço pela compreensão demonstrada. Aos militantes e simpatizantes do Bloco de Esquerda lamento o desfecho desta situação, a cuja criação fui alheio, e a que dei tempo para que se pudesse resolver. Aos eleitores, asseguro que continuarei a trabalhar de acordo com as ideias que há muito defendo, e que regularmente exponho em público.

Nunca escondi, aliás, as minhas opiniões sobre política portuguesa ou europeia, e sempre considerei que as divergências fossem uma mais-valia para a esquerda e para o debate democrático, quando assumidas com franqueza e lealdade. É o que continuo a considerar e procurarei sempre fazer."