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Atualidade / Arquivo

Roteiro turístico em estrada romana

A antiga Via XVII do itinerário de Antonino, que ligava Braga a Astorga passando por Chaves, vai ser restaurada para servir o turismo cultural.

Quem visita Castro de Avelãs, nos arredores de Bragança, ainda aí encontra a Igreja que resta do antigo mosteiro beneditino, ali instalado no século XII e que se tornou numa abastada e influente instituição regional. No entanto, muitas pessoas desconhecem que por lá passava a Via XVII, do Itinerário de Antonino. Esta importante estrada romana ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga), passando por Aquae Flaviae (Chaves). O traçado desta via, restaurado e estudado no âmbito do projecto Vias Augustas, proporcionará um novo roteiro turístico-cultural, essencialmente baseado no percurso pedestre entre Braga e Astorga.

A Via XVII, que partia da cidade minhota até Chaves, através de uma única ligação, bifurcava a partir da localidade flaviense, dando origem às variantes sul e norte, que se juntavam depois no Castro de Avelãs, seguindo daí num só traçado até Astorga.

Nas imediações da actual aldeia bragançana, os antigos viajantes podiam pernoitar e descansar da longa jornada numa mansio. Era o equivalente romano às actuais estações de serviço e prestava auxílio aos que percorriam a Via XVII. Assim, as pessoas que se deslocavam de umas localidades para outras podiam utilizar os albergues de apoio, distribuídos estrategicamente, de modo a proporcionar alimentação, repouso, muda de animais e assegurar qualquer reparação dos carros, no final de jornada. Pensa-se que naquela via romana existiam «estações de serviço» de 44 em 44 quilómetros.

Assim, de acordo com diversos investigadores, em Castro de Avelãs, no sítio da Torre Velha, terá existido uma das mansiones referidas no Itinerário de Antonino. Para uns, tratava-se de Compleutica e, para outros, seria Reboretum.

Capital do povo Zoelae

Como resultado do processo de romanização, a região, que faz parte actualmente do norte do distrito de Bragança, foi integrada na civitas Zoelarum, unidade administrativa regional. A sede deste povoado localizava-se na Torre Velha de Castro de Avelãs, como resulta dos vestígios recolhidos no local e da distribuição dos sítios com ocupação na época romana. Aí, habitava a gente Zoelae, pertencente ao povo Astur, cuja produção de linhos se terá destacado.

O papel central que Castro de Avelãs terá desempenhado, nesta região, durante o período romano, ter-se-á mantido na Idade Média e até à extinção do mosteiro de S. Salvador, no século XVI.

Após a conclusão, no final de 2005, do Vias Augustas I, o projecto encontra-se, agora, noutra fase. A primeira etapa do programa previa o envolvimento de todos os municípios portugueses e espanhóis, por onde a Via XVII passava. Já nesta fase, só se envolveram alguns concelhos e, apesar de terem sido impostas directrizes limitativas, cada localidade tem maior liberdade para seguir com o Vias Augustas II.

O município de Mirandela antevê que, neste estádio, o processo passe pelo levantamento, inventariação e sinalização dos percursos. «Prevê-se que Torre Dona Chama e São Pedro Velho recebam o maior impacto com o desenvolvimento desta fase do projecto», adiantou o arqueólogo da Câmara Municipal de Mirandela, Isidro Gomes.

Já Macedo de Cavaleiros, outro dos municípios envolvidos no Vias Augustas II, pretende identificar os traçados possíveis e recuperar algumas peças, «como os marcos miliários, que foram levados por particulares», informou o vereador da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Manuel Cardoso. Esta fase do projecto integra, ainda, a sinalética dos traçados e a colocação de painéis informativos. E, concluída que seja, é intenção da autarquia dinamizar os percursos, nomeadamente «através de visitas de estudo de escolas», segundo garantiu Manuel Cardoso.