Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Rómulo e Gedeão, professor e poeta

A vida do homem das ciências exactas e do seu alter ego, retratada na Biblioteca Nacional, até 6 de Janeiro.

É na infância que Rómulo de Carvalho descobre o gosto pela poesia. Aos 5 anos faz os primeiros versos, mas só aos 50 revela o pseudónimo que o acompanharia até ao fim dos seus dias: António Gedeão. No ano em que se comemora o centenário do seu nascimento, a Biblioteca Nacional desvenda a vida do homem e do poeta, através da exposição "António é o meu nome".

Documentos, fotografias e objectos pessoais do homem que experimentou a arte das coisas exactas, fazem parte de um vasto espólio doado pela família do escritor à Biblioteca Nacional.

Álbuns de fotografias e de memórias, trabalhos inéditos e manuscritos, cadernos de recortes de imprensa e outras anotações curiosas, como o número de vezes que os seus poemas foram cantados (em 1975), desenham o perfil de um homem de ciência, meticuloso e organizado, invadido pela "angústia e sofrimento autêntico" que dizia sentir sempre que escrevia um poema.

Foi no Liceu Camões que começou a sua vida de docente, em 1934. Dedicado ao ensino da Física e apaixonado pela literatura, Rómulo de Carvalho publicou dezenas de livros científicos, entre eles literatura para jovens que designava como "uns volumezinhos" com "várias histórias de ciência, sem fadas nem milagres...".

Em 1956, dá à luz o seu outro eu, António Gedeão, a pretexto da primeira grande obra poética do autor "Movimento Perpétuo". "Pedra Filosofal" é um dos poemas desta obra que inscreve o seu nome no "livro" dos maiores escritores portugueses de sempre.