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Reservas hídricas em baixa

Portugal amanheceu ontem coberto de bruma, consequência dos incêndios. Entretanto, ao calor intenso junta-se a falta de chuva desde Janeiro e as barragens ressentem-se.

A falta de chuva - desde Janeiro o país apresenta precipitação inferior à média - já provocou uma descida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas. O fenómeno verifica-se também em Espanha. Somente na última semana, a reserva hídrica das represas na nascente do Tejo caiu 11 hectómetros, estando actualmente com 254 hectómetros. Ou seja, apenas 14 acima do limite definido como reserva estratégica.

Em toda a bacia do Tejo, as reservas somam 4.924 hectómetros cúbicos, menos 155 do que na passada semana, o que equivale a 44,81% da capacidade total.

A queda das reservas ameaça a concretização de um plano aprovado pelo Conselho de Ministros espanhol, que previa o transvaze de 11 hectómetros cúbicos por mês entre Julho e Setembro, do Tejo para o Segura. De acordo com o Plano Hidrológico Nacional do país vizinho, aprovado em 2001, o transvaze do Tejo  está proibido enquanto a bacia acumular menos de 240 hectómetros.

Dados da Confederação Hidrográfica do Tejo apontam que as represas de Entrepenas e Buendia acumulavam no passado fim-de-semana apenas 10,22 por cento dos 2474 hectómetros para as quais têm capacidade. A situação dessas represas é preocupante. Na represa de Entrepenas há apenas 102  dos 835 hectómetros cúbicos possíveis. Ou seja, tem apenas 12,21 % da sua capacidade.  No caso de Buendia, a reserva é de 152 hectómetros, apenas 9,27%  da sua capacidade. 

Em Portugal, segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos do Instituto da Água (referentes último dia do mês de Julho e comparativamente ao mês anterior), verificou-se uma descida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas monitorizadas. Os armazenamentos de Julho do ano em curso, por bacia hidrográfica, apresentam-se inferiores às médias de Julho no período de 1990/2000, excepto para as bacias do Cávado, Ave e Tejo.

Espanha pode voltar a desrespeitar caudais mínimos

Os volumes de água no Douro, Tejo, Lima, Minho e Guadiana estão definidos na Convenção de Albufeira que regula, entre outros aspectos, o cumprimento dos caudais mínimos. No entanto, em 2005, Espanha não cumpriu o convénio que gere os rios internacionais. Nesse ano, os espanhóis - invocando a sua situação excepcional de seca - reduziram a entrada de água do Douro em Portugal em menos de 15% do que o valor previsto no caudal habitual. Situação que pode voltar a acontecer este ano.

Até ao mês passado, porém, tudo apontava que Espanha estaria em condições de cumprir  os caudais nos rios transfronteiriços, apesar da seca se manter nalgumas regiões. Já durante a VII Reunião Plenária da Comissão para Aplicação e Desenvolvimento da Convenção de Albufeira - realizada em Julho em Lisboa - a Andaluzia tinha pedido para reforçar uma captação no Chança (afluente do Guadiana), devido à seca, tendo Portugal admitido essa possibilidade. Foi firmado um «acordo de princípio» à captação de água do Alqueva para efeitos de rega na Extremadura espanhola.