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Atualidade / Arquivo

Relação de Évora em palácio de luxo

O Tribunal da Relação de Évora está de malas aviadas para o Palácio Barahona. Este edifício, de alto valor patrimonial e artístico, é propriedade do grupo CGD. Aguarda-se o Tribunal de Contas.

O MINISTÉRIO da Justiça (MJ) vai reinstalar o Tribunal da Relação de Évora (TRE) no Palácio Barahona já no decurso do próximo ano judiciário, cedendo assim às pressões dos desembargadores que alegavam «más condições de trabalho, insegurança e o desajuste do edifício onde estavam alojados». Para o mesmo edifício poderão passar outros serviços judiciários dispersos pela cidade e que se encontram em idêntica situação.

O Palácio Barahona, prédio de alto valor patrimonial e artístico, cuja construção remonta à década de 60 do século XIX, é pertença da seguradora Fidelidade Mundial do grupo Caixa Geral dos Depósitos (CGD), cujos activos são geridos pela Fundimo, S.A..

A beleza arquitectónica das suas linhas e o magnífico jardim envolvente fez com que nos últimos tempos tenha sido alvo da cobiça de empresários portugueses, europeus e orientais para ali implantarem um hotel de luxo.

A CGD nunca mostrou grande interesse na venda do imóvel. No princípio deste ano, porém, o secretário de Estado da Justiça Conde Rodrigues, visitou-o e ficou encantado com o que viu. As negociações que primitivamente visavam a aquisição do Palácio foram demoradas até que o MJ entendeu que a compra se tornava impossível e incoerente pois o Estado estava a vender património e não a comprar.

Um entendimento para o seu arrendamento foi, no entanto, alcançado no final do mês passado. Contactado pelo EXPRESSO, o Gabinete de Imprensa do MJ limitou-se a esclarecer, num primeiro momento, que não tinha sido celebrado qualquer contrato de arrendamento com o Grupo CGD. Mais tarde veio a admitir que «a proposta de arrendamento só aguarda o parecer favorável do Tribunal de Contas».

Entretanto, os funcionários da Fidelidade Mundial já foram informados de que a empresa irá abandonar o Palácio, que irá acolher a Relação de Évora. E até sabem que o seu destino será uma antiga dependência do extinto Banco Nacional Ultramarino, situada em frente à Câmara Municipal, que é igualmente pertença do grupo CGD.