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Reitor da UL define prioridades nacionais

Para António Sampaio da Nóvoa, a diversidade entre as universidades europeias tem de ser assumida com um propósito comum: aprendizagens diferentes com equivalências iguais

Diversidade nos modelos de ensino, autonomia institucional e luta contra empobrecimento financeiro são as prioridades defendidas por António Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa (UL), no seu discurso de abertura da  IV Convenção da European Universities Association.

Nóvoa diz que a diversidade entre as universidades europeias tem de ser assumida com um propósito comum: aprendizagens diferentes com equivalências iguais. “Só assim conseguiremos abrir caminho para um processo de inovação e modernização competitivo”, afirmou. O reitor da UL critica severamente o conceito de “one best model” apresentado pela comissão para a Educação da Comissão Europeia, garantindo que só com “estratégias diferentes de conhecimento se pode chegar a uma Europa mais rica. A meta traçada por Nóvoa é à da autonomia de cada universidade, para assim combater “o atraso, a estagnação e a burocracia” que se instalaram nestas instituições.

Em guerra aberta com o comissário europeu para a educação, Ján Figel, o reitor da Universidade de Lisboa condena a criação de institutos de investigação não dependentes das universidades, numa clara alusão ao novo European Institut of Technology, que a Comissão Europeia vem estruturando. “Será mais um passo para a desagragação universitária”, diz, apelando para a “invenção” de uma instituição universitária única, capaz de assegurar diversas missões.

Para António Nóvoa, “a autonomia e a diferença geram confiança e impacto. Aquilo que é necessário para a boa prática da investigação, a qual não existe sem um 'background' cultural nem sem um clima social particulares. Era esse o poder das universidades no passado e ele é indispensável para a sociedade”.

O conceito do trabalho do aluno como ponto de partida para uma estratégia de ensino eficaz ao nível da ciência e da tecnologia, da economia e do mundo social é outra das prioridades assumidas pelo reitor. Para António Nóvoa, o Ensino Superior pode sofrer consequências graves se o debate sobre o Processo de Bolonha não estiver ligado à luta contra a precaridade e empobrecimento das universidades. “O futuro, depois de 2010, é um campo aberto que precisa ser cultivado com os nossos projectos, as nossas ideias e os nossos conceitos”, diz. 

Em resposta, o comissário europeu para a Educação afirma que é apenas o conhecimento que tem de estar no centro do Ensino Superior na Europa de 2010. Um conhecimento que sirva os cidadãos, seja capaz de olhar para fora das universidades e chegue à sociedade civil, à qual apela para um contributo visível em termos de apoios privados às instituições de ensino superior.

Para Ján Figel, a Comissão Europeia está interessada em resultados, quer saber o que as universidades estão a fazer e quão bem o fazem, mas prefere que os recursos financeiros tenham por base não o investimento público mas o privado, “para que a sustentabilidade da educação seja uma realidade a longo prazo”.

Quanto ao Processo de Bolonha, o comissário europeu elogia a sua capacidade de criar três princípios básicos para o desenvolvimento do conhecimento: livre mobilidade de professores e alunos; qualificação e equivalências; e investigação. O comissário anunciou que Canadá, Austrália e Israel estão interessados em participar no Processo de Bolonha.