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Regras para fazer a mala

Hoje, quem não se equipar com enormes doses de paciência e tempo, corre o risco de ficar em terra e está sujeito a esperar dias pela chegada da bagagem, ainda que o destino não fique muito longe.

Depois do atentado de 11 de Setembro de 2001, às torres gémeas em Nova Iorque, as preocupações de segurança nos aeroportos provocaram uma revolução nos procedimentos de embarque.

Há dez anos, fazer a mala e partir de viagem não exigia muita perícia. Na mala maior colocava-se a roupa, os sapatos, o secador do cabelo, às vezes um rádio e alguns objectos pessoais; na de mão - o «nécessaire» -, arrumavam-se os artigos de higiene e, noutro saco, iam junto os óculos, as chaves, a máquina fotográfica, uma garrafa de água, pastilhas, o canivete suíço, etc. No dia da partida, na maior parte dos casos, meia-hora era suficiente para fazer o «check in». Normalmente tudo decorria de forma calma, sem grandes filas. Nessa altura, apenas alguns países de Leste eram mais meticulosos nas questões de segurança.

Entre as medidas adoptadas depois dos atentados nos EUA incluem-se a inspecção mais minuciosa a passageiros e bagagens e a restrição dos objectos que podem ser transportados nos sacos de mão, bem como o bloqueio do acesso ao «cockpit». Paralelamente, «todos os trabalhadores que circulam no aeroporto passaram a ter formação específica ao nível da segurança», garante João Nunes, director-adjunto do aeroporto de Lisboa.

O atentado que as autoridades londrinas dizem ter desmantelado a 10 de Agosto elevou ainda mais os padrões de segurança. Ao ponto de nem uma garrafa de plástico com água ou a pasta dos dentes poderem viajar junto ao passageiro, nomeadamente se o destino for os EUA ou o Reino Unido. Os computadores pessoais, leitores de mp3, telemóveis, máquinas digitais têm de ser minuciosamente observados, não é permitido qualquer tipo de garrafa e/ou recipiente com líquidos ou gel que não possam ser comprovados e só pode levar consigo os medicamentos necessários durante a viagem.

Por isso, agora, antes de fazer a mala convém olhar para a lista dos produtos que pode ou não levar na bagagem de mão e estudar quais os procedimentos a seguir caso queira transportar qualquer espécie de objecto contundente, perfurante ou cortante, equipamentos electrónicos, medicamentos ou produtos de higiene. E esqueça a hipótese de chegar ao aeroporto em cima da hora. Para os voos de longo curso convém antecipar-se três horas e para os de médio curso, duas.

«Um simples secador de cabelo, junto de um frasco com um líquido suspeito e um outro objecto podem indiciar o fabrico de uma bomba e fazer com que a mala de porão tenha de ser aberta», revela João Nunes.

Também os funcionários do aeroporto e das companhias aéreas já sentiram na pele as regras de segurança impostas sobretudo a partir do final de 2001. «Temos trabalhadores que não aceitam bem os requisitos de segurança pelos quais têm de passar. Há gente que nos diz: ‘estou cá há 20 anos e agora é que sou terrorista?’. As pessoas perderam liberdade de movimentos dentro do seu próprio local de trabalho», explica o director-adjunto. As caixas de ferramentas do pessoal da manutenção têm de ter um inventário de todo o conteúdo, «que é conferido», garante.

Os artigos vendidos no «free-shop» passaram também a ter de merecer a aprovação do gabinete de segurança dos aeroportos.