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Ratzinger emociona a Baviera

O papa passeou pela Baviera, pelos locais onde passou a sua infância e juventude. Foi recebido com "banhos de multidão".

Franz Zimermann, um jovem bávaro de 19 anos, abana a cabeça: “Não percebo porque é que a imprensa internacional chama ao Papa Bento XVI “Panzer Cardinal” ou “Rotveiler de Deus”. Ele é afinal uma pessoa duma simpatia e simplicidade desarmantes”. Franz esperou horas a pé firme nas ruas apertadas da pequena aldeia de Marktl am Inn, perto da fronteira com a Áustria, para poder apertar a mão do seu conterrâneo, que durante estes 5 dias passados na sua Baviera natal tomou numerosos “banhos de multidão”.

Esta foi uma romagem de saudade: Joseph Ratzinger, de 79 anos, voltou aos locais onde passou a sua infância e juventude: a Altötting, conhecido local de peregrinação mariana, onde ia com os pais visitar “a virgem negra”; ao seminário de Munique onde se preparou para padre; à catedral de Freising onde foi ordenado; à Universidade de Regensburgo onde ensinou teologia. “Foi uma visita de despedida” comentou lacónico o seu irmão Georg, três anos mais velho, também ele padre. Ambos foram recolher-se em Pentling junto da campa onde repousam os seus pais e a sua irmã.

A Baviera, sempre ciosa da sua identidade e autonomia, é na Alemanha, uma das praças fortes da igreja católica. Este facto, juntamente com o orgulho de ver no trono de Pedro um “filho da terra” transformou a visita num acontecimento histórico. O papa não escondeu a sua emoção por se ver acolhido com tamanho entusiasmo. Os bávaros são assim: extrovertidos, calorosos e barulhentos.

Bento XVI: afável e cordial no trato, mas firme e inabalável na defesa da doutrina. A aula de teologia dogmática que deu na Universidade de Regensburgo, onde foi professor há 40 anos, confirmou a fama que ganhou quando presidia em Roma à Congregação de defesa da fé. Não é certamente este papa que vai introduzir inovações na teologia católica ou abrir portas a “novos ventos”. Ali abordou a velha questão das relações entre as ciências e a teologia. E não hesitou em aventurar-se no terreno delicado das relações do Cristianismo com o Islão, para condenar qualquer religião que aprove a violência ou até mesmo “a guerra santa”. O papa sublinhou que “entre o Islão e o Cristianismo há uma diferença fundamental: para este último a fé não contradiz nem elimina a razão. Para os muçulmanos pelo contrário, Deus é absolutamente transcendente e a sua vontade não está ligada a nenhuma das nossas categorias – nem sequer à razão”.