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Ramos Horta apresenta candidatura presidencial

Num comício em Laga, Ramos Horta acabou com as dúvidas. A partir de hoje Timor tem mais um candidato à presidência do país.

O primeiro-ministro timorense, José Ramos Horta, já tinha avisado que podia vir a ser um candidato presidencial “in-extremis”. Hoje, num comício em Laga, a 150 quilómetros de Dilí, apresentou oficialmente a sua candidatura. Uma das suas prioridades, caso consiga ser eleito, vai ser fomentar o diálogo entre as instituições timorenses.

A comitiva de Ramos Horta foi recebida em Laga pelo comandante Cornélio Gama e por apoiantes do partido UNDERTIM (Unidade Nacional da Resistência Timorense). Apoiado por uma multidão empunhando bandeiras e cartazes alusivos à resistência contra a ocupação indonésia (1975-1999), Ramos Horta anunciou a sua candidatura às presidenciais, marcadas para nove de Abril.

“Hoje, aqui, nesta terra de Laga, digo a todo o povo de Timor-Leste a minha candidatura a Presidente da República”, anunciou o candidato e actual primeiro-ministro de Timor-Leste.

Ramos Horta já tinha revelado na passada quinta-feira, em declarações feitas ao canal árabe Al Jazeera, que iria oficializar a candidatura nos próximos dias.

O local escolhido para anunciar a candidatura acabou par recair sobre Laga, pois como Ramos Horta referiu no discurso de candidatura, o seu programa presidencial irá privilegiar a luta contra a pobreza e Laga fica numa das regiões mais pobres de Timor. Outra das razões foi Horta ter vivido nesta localidade dos 11 aos 17 anos.

No seu discurso Ramos Horta acredita que o fim da pobreza passará sempre por uma maior justiça social, “justiça não é apenas a que se processa através dos tribunais. Justiça é também e sobretudo o combate às enormes diferenças sociais”, referiu.

Outro dos seus objectivos será impulsionar o diálogo entre as instituições. Segundo Ramos Horta “um país no qual as instituições se encontrem de costas voltadas” não poderá evoluir.

Sem apoio da Fretilin

Ramos Horta que em 1996 partilhou o prémio Nobel da Paz com Ximenes Belo, admitiu que a sua decisão foi fruto de muita reflexão e de alguma hesitação, reconhecendo que a Austrália e os Estados Unidos foram os países que mais o encorajaram a candidatar-se à presidência de Timor-Leste.

Tal como Francisco Guterres já o havia feito, quando anunciou a sua candidatura há cinco dias, também Ramos Horta irá suspender as funções governamentais e partidárias. “Como candidato, durante o período da campanha afastar-me-ei do Governo. Não uso nem usarei meios do Estado para a minha campanha”, e lança um desafio, “convido o inspector-geral do Estado, os partidos e outras instituições a monitorizar as minhas actividades”.

Embora Ramos Horta lidere um governo da Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente), o candidato deste partido é Francisco Guterres, que anunciou a sua candidatura presidencial no início da semana. Quando confrontado com um adversário vindo das fileiras do seu próprio partido, o primeiro-ministro é algo lacónico, “há muitos candidatos. Cada candidato é bom", acrescentando que “o povo saberá escolher”.

Com outros seis candidatos na corrida presidencial, Ramos Horta e Francisco Guterres são os que mais possibilidades terão de suceder a Xanana Gusmão. Dia nove de Abril terminarão as dúvidas.