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Atualidade / Arquivo

Raios-x revelam tratados inéditos de Arquimedes

Novos dados sobre as teorias de Arquimedes estão a ser obtidos graças a uma operação de recuperação de manuscritos que está a ter lugar na Universidade californiana de Stanford.

«Estamos a conseguir novos dados sobre um dos pais da ciência ocidental», afirmou William Noel, especialista envolvido na operação de recuperação do «palimpsesto de Arquimedes» que está a ter lugar na Universidade californiana de Stanford.

Os palimpsestos são manuscritos em pergaminho sobre os quais os copistas medievais rasparam as inscrições originais para os reutilizarem com novos textos. Conhecido como o «palimpsesto de Arquimedes», o manuscrito de 174 páginas que está agora a ser alvo de uma delicada operação de recuperação, é de especial importância porque contem vestígios de sete tratados de Arquimedes, três dos quais com dados novos até aqui desconhecidos.

No caso do tratado sobre «Corpos Flutuantes» é o primeiro documento encontrado com esta teoria escrita em grego (a língua na qual Arquimedes a escreveu originalmente), quanto ao «O Método dos Teoremas Mecânicos» trata-se mesmo do único registo em qualquer língua que sobreviveu até os dias de hoje com esta teoria, tal como algumas das inscrições encontradas do tratado «Stomachion» (um quebra-cabeças geométrico).

Arquimedes viveu no século III A.C. e é considerado como um dos maiores cientistas e matemáticos da antiguidade.

Os estudiosos acreditam que no século X um escrivão copiou para este manuscrito os tratados de Arquimedes a partir dos documentos originais gregos. Uma transcrição que três séculos mais tarde foi apagada por um monge cristão, que reutilizou o manuscrito de pergaminho para escrever orações.

Os tratados de Arquimedes estão agora a ser recuperados através de raios-x (do tamanho de um cabelo) que conseguem detectar pequenas partículas de ferro deixadas pela tinta original.

«É uma das operações mais difíceis realizadas num documento medieval porque o livro está em péssimo estado de conservação», referiu Willian Noel.

Demora cerca de 12 horas a digitalizar cada página do manuscrito e os estudiosos estão a concentrar-se sobretudo nas páginas que contém dados inéditos.

Na quinta-feira passada o público pode assistir em directo a este processo através de uma transmissão de vídeo pela Internet, sendo que à medida que cada página é recuperada é disponibilizada na web.

Nos últimos 8 anos, investigadores tentaram através de filtros ultravioleta e infra-vermelhos recuperar o documento, mas algumas páginas estavam demasiado deterioradas.