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Atualidade / Arquivo

Quatro zonas negras

Baixa, Bairro Alto, São Bento, Martim Moniz, Restelo e Príncipe Real são algumas das zonas mais afectadas de Lisboa

É nesse local de diversão, em Benfica, que menores e pedófilos aguardam pelo toque do telemóvel ou por uma mensagem escrita (SMS), para acertarem os detalhes dos encontros sexuais. No interior do «shopping» nunca há contactos directos, o que tem dificultado o trabalho da polícia no terreno. «Já estivemos muitas vezes à paisana no FunCenter, mas sempre sem sucesso. É difícil apanhar alguém em flagrante», conta fonte policial ao EXPRESSO.

O documento do SIS, que apontava para a existência de 900 crianças prostitutas em 2003, retrata um cenário idêntico noutros centros comerciais, como o Fonte Nova, o Amoreiras, o El Corte Inglés e o Vasco da Gama, em Lisboa, e o Palmeiras, em Oeiras.

À noite, as zonas referenciadas são a Baixa da capital (Rossio, Martim Moniz e Praça da Figueira), o Cais do Sodré, o Restelo e o Príncipe Real. Para não serem detectadas pela polícia, as jovens prostitutas costumam mudar de local todas as noites. Regra geral, andam sem identificação e aos clientes nunca dizem ter menos de 18 anos.

No Parque Eduardo VII ainda há rapazes menores a prostituírem-se, mas desde 2002 o número tem vindo a diminuir. «Hoje, eles parecem um pouco mais velhos. Mas de vez em quando ainda vejo crianças a circularem por aí», conta um morador no anonimato. Os pedófilos endinheirados passaram a ter receio desde que o local se tornou mediático com o processo Casa Pia. Mas ainda há carros de alta cilindrada a passear pela Rua Sidónio Pais, junto ao Pavilhão Carlos Lopes, e na alameda ao lado do hotel Ritz, como verificou o EXPRESSO depois de passar duas noites pelo local.

Segundo o SIS, as pensões do Bairro Alto, Baixa, São Bento e Martim Moniz continuam a ser o destino dos jovens prostitutos e dos seus clientes, com a conivência dos donos. O relatório define também a origem destes menores lisboetas: eles provêm de bairros como a Musgueira, Telheiras, Sapadores, Alfama, Monte da Caparica, Arrentela, Fontainhas, Venda Nova ou Cova da Moura.

Além dos tradicionais locais de prostituição infantil em Lisboa, Porto, Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores - as quatro zonas negras referenciadas pelo SIS -, o EXPRESSO sabe que as praias da Costa de Caparica, o Jardim da República e a estação rodoviária, em Santarém, são também locais onde meninas entre os 12 e 14 anos prestam serviços sexuais.