Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Quando os segundos parecem horas

A proposta apresentada esta semana coloca um milhão de portugueses a 45 minutos de um serviço de urgência. As reacções não se fizeram esperar.

Se a proposta apresentada por um grupo de onze especialistas ao Ministério da Saúde for implementada, um milhão de pessoas vai levar pelo menos 30 minutos para ter acesso a um posto de atendimento e 45 minutos para chegar a um serviço de urgência polivalente ou médico-cirúrgica.

"É demasiado se o utente estiver a muito tempo de distância, mas os objectivos são medidos em percentagem de atendimento e nós pretendemos ter pelo menos 90% da população em menos de 45 minutos", afirmou esta tarde em Loulé o ministro da Saúde, Correia de Campos.

Apesar da rede de cuidados urgentes passar dos actuais 73 serviços para 83, a distância que milhares de utentes vão ter de percorrer  para serem atendidos é um dos aspectos mais polémicos da reforma da actual rede que prevê o encerramento de 14 urgências hospitalares e a abertura de 25 novos postos de atendimento. O Governo pretende avançar com a reforma já em 2007.

A "Proposta da Rede de Serviços de Urgências – Documento para Audição Pública" (ver relacionados) foi apresentada segunda-feira passada por Correia de Campos, à Associação Nacional de Municípios Portugueses, e fica em discussão pública até ao final deste mês.

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Manuel Delgado, já manifestou a sua preocupação relativamente ao problema da distância geográfica que vai condicionar o acesso (às urgências) a 10% da população. Considera, no entanto, que se trata de um problema demográfico e geográfico comum a vários países, e que pode ser resolvido através de outras formas de compensação aos utentes prejudicados, nomeadamente com a dinamização da assistência domiciliária.

O presidente da Câmara de Santo Tirso – onde fica um dos 14 serviços a ser encerrados – já anunciou que vai contestar o projecto do Ministério da Saúde. Em declarações à Lusa, o autarca Castro Fernandes disse que irá “fazer valer os interesses do concelho que já foi muito penalizado com o encerramento do bloco de partos”.

O director do Hospital Curry Cabral, o único da cidade de Lisboa que um estudo encomendado pela tutela recomenda o encerramento da urgência, garantiu hoje a qualidade deste serviço, mas escusou-se a comentar uma "decisão política".

A Comissão de Utentes da Saúde do Montijo/Alcochete convocou hoje a população para um plenário na quarta-feira, destinado a decidir medidas contra o encerramento das urgências do Hospital Distrital que serve 47 mil utentes. Francisco Fagulha, da Comissão de Utentes, disse à Lusa que "a população do Montijo não pode simplesmente deixar que as urgências encerrem".

No Fundão, o prrsidente da câmara anunciou hoje a constituição uma comissão de peritos locais para estudar os fundamentos técnicos do relatório que defende o fecho das urgências no hospital da cidade. "Acredito que do ponto de vista técnico o relatório tem incorrecções em relação à nossa região", disse à Lusa Manuel Frexes.