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Pyongyang lança ameaça nuclear

A Coreia do Norte desafiou a comunidade internacional com um teste nuclear. O mundo já começou a reagir ao "acto provocatório".

A Coreia do Norte desafiou hoje a comunidade internacional, ao anunciar a realização de um teste nuclear subterrâneo com “cem por cento de êxito”.

Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, o ensaio nuclear foi feito no âmbito de uma política de autodefesa sobre a crescente hostilidade dos Estados Unidos contra o regime comunista. "A enorme ameaça dos Estados Unidos de uma guerra nuclear, da aplicação de sanções e de pressão obrigam a DPRK [sigla em inglês da República Democrática Popular da Coreia] a realizar um ensaio nuclear, um processo essencial para desencorajar ataques nucleares, como uma medida de autodefesa", refere o documento.

O regime comunista norte-coreamo tinha prevenido, a 3 de Outubro, que efectuaria o teste desde que considerasse reunidas as necessárias condições de segurança. Nessa mesma altura, a Coreia do Norte prometeu "nunca usar a arma atómica em primeiro lugar" e "respeitar com sinceridade os compromissos no domínio da não-proliferação nuclear, como potência nuclear responsável". Segundo Pyongyang, a ameaça acabou por ser cumprida esta madrugada, cerca das 2h30 em Lisboa.

Para o general Loureiro dos Santos, especialista em assuntos militares e geoestratégia, a realização do ensaio nuclear por Pyongyang reflecte "a impotência da China" que agora "talvez aceite a imposição de sanções económicas contra a Coreia do Norte". Quanto a um hipotético ataque aéreo militar dos Estados Unidos contra as instalações nucleares norte-coreanas, Loureiro dos Santos sublinhou que "este poderia suscitar uma resposta demolidora de Pyongyang contra a Coreia do Sul e a chegada de um elevado número de deslocados à China".

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, encontra-se em viagem pelo Congo, não sendo, para já, possível obter uma reacção portuguesa ao ensaio norte-coreano. As reacções internacionais não se fizeram esperar e todas condenam o "acto provocatório" da Coreia do Norte.

APELOS E CONTESTAÇÃO DA COMUNIDADE INTERNACIONAL

"A Coreia do Norte ignorou as inquietações da comunidade internacional e procedeu de forma vergonhosa a um ensaio nuclear. O Governo chinês exprime desta vez a sua firme oposição." – comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

"O ensaio de armas nucleares pela Coreia do Norte não poderá nunca ser perdoado, mas devemos reunir e analisar mais informações sobre o dossiê mantendo a cabeça fria" – Sjinzo Abe, primeiro-ministro japonês.

"Pedimos à Coreia do Norte que tome, sem tardar, medidas para regressar ao Tratado de Não-Proliferação e que retome as negociações a seis (China, Estados Unidos, Japão, Rússia e as duas coreias)." – comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

"Pyongyang violou os seus compromissos internacionais, pondo em causa a paz, a estabilidade e a segurança da Península Coreana e da região." – Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano.

"O teste nuclear subterrâneo anunciado por Pyongyang representa uma séria ameaça à segurança e paz internacional." – comunicado da presidência da União Europeia.

"Este acto de provocação adicional demonstra o desprezo da Coreia do Norte face às preocupações dos países vizinhos e da comunidade internacional na sua totalidade." – Tony Blair, primeiro-ministro britânico.

"A comunidade internacional vai reagir de maneira enérgica." – Margaret Beckett, ministra dos Negócios Estrangeiros britânica.

"Um acto de grande gravidade para a segurança internacional." – Philippe Douste-Blazy, ministro dos Negócios Estrangeiros francês.

"A Coreia do Norte deve regressar imediatamente à via das negociações diplomáticas" – Miguel Angel Mora, ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol.

"Pedimos ao Governo norte-coreano que suspenda imediatamente o seu programa de armamento e de mísseis nucleares, e que não proceda a mais ensaios." – Frank-Walter Steinmeier, ministro dos Negócios Estrangeiros alemão.