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Atualidade / Arquivo

PSD é o único partido que apoia a decisão

A demissão de Alberto João Jardim fez com que o Carnaval da Madeira passasse para segundo plano. Sem nenhum candidato do seu partido, Jardim sucede a Jardim.

As reacções à demissão de Alberto João Jardim da presidência do Governo Regional da Madeira, não se fizeram esperar e ultrapassaram as fronteiras nacionais. De Portugal à Venezuela todos têm uma opinião sobre a demissão, algo brusca, do homem que decide os destinos da Madeira desde 1978.

O presidente do Governo açoriano, Carlos César, afirmou ainda na noite de ontem, que a demissão do seu colega insular “não resolve nenhum problema” da Madeira e ainda enfraquece mais a opinião pública nacional sobre as autonomias regionais. “As eleições regionais servem para determinar o Governo Regional e não para confrontar os órgãos de soberania", afirmou Carlos César em declarações aos jornalistas. César admitiu ainda que se estivesse no lugar de Jardim, agiria de forma diferente “nós, nos Açores, preservamos a estabilidade política, a solidez das instituições e a imagem das autonomias no plano nacional e, portanto, seguíamos outro caminho", referiu.

Reacções dos partidos

Dos partidos políticos com assento na Assembleia da República o PSD foi o único a dar o seu apoio à decisão do líder madeirense. Marques Mendes deixou o seu apoio ao PSD Madeira e repudiou a Lei das Finanças Regionais.

Num comunicado a direcção do PSD defendeu que a lei 頓profundamente injusta e arbitrária”,  e não foi motivada por objectivos de rigor financeiro, foi motivada, sim, “por manobras partidárias, ignorando os interesses do país, desprezando o povo madeirense e colocando em causa a estabilidade das relações financeiras entre o Estado e a Região Autónoma da Madeira". O PSD Madeira já disse que não avançará com nenhum nome para presidente do governo regional, o que deixa terreno livre para João Jardim voltar a vencer as eleições.

Já o PS, o principal partido da oposição, acusou João Jardim de se demitir num acto de “guerrilha institucional” sem qualquer motivo e apenas para tentar prolongar o seu mandato. Vitalino Canas, porta-voz do PS criticou a liderança de Marques Mendes que culpou de “incapacidade de liderança e falta de coragem” para dissuadir Jardim de apresentar a demissão.
O líder do PS Madeira, Jacinto Serrão, acusou de Alberto João Jardim de traidor à região. "Esta atitude representa uma traição aos madeirenses e porto-santenses que lhe confiaram uma maioria para governar e não para tremer perante a primeira contrariedade", disse Jacinto Serrão.

Edgar Silva, o líder do PCP da Madeira, acusou Jardim de egoísmo e de “não estar interessado nos interesses dos madeirenses, mas em impor o seu interesse particular”. Edgar Silva classificou de “compreensível” a demissão de Jardim, mas quanto à recandidatura pensa ser “inaceitável, porque está destituída de legitimidade”.

O CDS-PP na voz do seu líder, José Ribeiro e Castro, considerou esta crise política “esperada mas desnecessária”. "É uma crise que corre o risco de agravar no imediato o quadro de incerteza na região autónoma e criar um vazio temporário que pode ser muito negativo do ponto de vista económico e social", afirmou o líder centrista à Lusa.

Miguel Portas do Bloco de Esquerda, considerou a demissão do Governo Regional da Madeira uma “asneira” de Alberto João Jardim, mas garantiu que o partido está preparado para eleições se for essa a decisão de Cavaco Silva. "Nós estamos preparados para qualquer que venha a ser a decisão do Presidente da República. Disputaremos as eleições se essa for a sua decisão".

De São Bento e de Belém ainda não houve qualquer reacção à demissão de Alberto João Jardim Jardim.

Do outro lado do Atlântico

A vasta comunidade madeirense na Venezuela foi apanhada de surpresa com a demissão de Alberto João Jardim. Na sua maioria os madeirenses desconheciam a posição do presidente do governo da Madeira e aguardam agora o evoluir da situação.

"Não pode ser. Isso deve ser um boato. Ouvi dizer que há divergências quanto à Lei de Finanças Regionais mas daí a que um homem que está há tanto tempo no poder se demita. Não sei o que dizer", confessou à Lusa Francisco Fernandes, comerciante madeirense radicado em Caracas.

O presidente do Centro Português de Caracas, João Gonçalves, também não escondeu a surpresa e recusou-se fazer mais comentários, “por ser preciso estar mais informado para opinar” e acrescentou que primeiro é “preciso saber qual o motivo da sua demissão e porque razão se recandidata”.

Contudo, os jornalistas portugueses na Venezuela já estavam preparados para esta demissão. "Ouvi as declarações, na RDP-internacional, em que se dizia que ele estava a pensar demitir-se. É uma maneira de reclamar o que ele diz ser uma injustiça dos socialistas para com a Madeira, por ser governada pelo PSD", comentou Diego Freitas, jornalista radiofónico.