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Protesto à porta de seguradora

Uma ex-funcionária da Misericórdia de Leiria esteve durante dois dias à porta de uma seguradora devido a um diferendo com cinco anos. O protesto valeu-lhe um acordo.

Maria Alice Gomes, de 55 anos, prometia não sair da porta da Zurique, em Leiria, enquanto não fosse resolvido um imbróglio que se arrastava desde Novembro de 2002. Chegou a estar deitada em frente à porta da delegação da seguradora e a passar a noite ao relento. “Infelizmente, esta é a única maneira de prestarem atenção ao meu problema”, afirmou. Ao fim de dois dias de protesto, porém, a seguradora prometeu-lhe marcar uma consulta de urgência com um ortopedista.

O caso remonta a 5 de Novembro de 2002, quando a ex-empregada da Santa Casa da Misericórdia de Leiria foi vítima de um acidente de trabalho, enquanto mudava um idoso de um cadeirão para uma cadeira de rodas. “Pensei que se tratassem de dores passageiras”, conta. Enganou-se. Foi-lhe diagnosticada uma hérnia discal e ficou de baixa médica.

Nos meses seguintes, Maria Alice foi seguida por diversos médicos recomendados pela companhia de seguros da Misericórdia. Foi operada pela primeira vez em Junho de 2003, mas não se sentiu melhor. “Tinha dificuldades em andar e avisei a seguradora de que não estava bem”. Fez mais exames e voltou à sala de operações, mas de novo, sem sucesso. “Não podia ir trabalhar. Tinha dificuldade em fazer a mais simples das tarefas”, declara Maria, que passa a maior parte dos dias acamada.

O caso foi a tribunal, e a seguradora propôs-lhe fazer uma terceira operação, mas a ela recusa-se terminantemente a submeter-se ao médico indicado, por quem diz ter sido maltratada.

Desempregada (a Misericórdia de Leiria não renovou o seu contrato de trabalho) Maria diz sentir o tempo a correr contra ela e numa medida extrema decidiu ir esta Quarta-feira manifestar-se à porta da delegação da Zurique, em Leiria. “Não sou uma bola de pingue-pongue. Sou um ser humano”. A meio da tarde de Quinta-feira, os responsáveis da Zurique foram sensíveis ao protesto e prometeram que ela seria vista, em breve, por um médico.

Em declarações ao Expresso, uma fonte da Santa Casa da Misericórdia disse que a instituição nada tem a ver com o caso: “Na altura, passámos o assunto à seguradora”. Na Zurique, a funcionária que tem seguido o processo garante não poder “prestar declarações” sobre casos em aberto.